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UMA EM CADA 4 PESSOAS NÃO SEGUE INDICAÇÕES DE PRESCRIÇÃO DE ANTIBIÓTICOS

Um quarto dos inquiridos num estudo nacional sobre o uso de antibióticos não segue as indicações de prescrição e mais de sete em cada dez não conseguem identificar o que tomaram. De acordo com este estudo, feito pelo Grupo de Investigação e Desenvolvimento em Infeção e Sépsis (GIS-ID), com o apoio do Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica Portuguesa, apesar de ter melhorado o número dos confessaram não seguir a prescrição face aos valores de 2020 (1/3), ainda assim “é um fator de preocupação”. “Há um nível de falência dos tratamentos por causa disso”, disse o presidente do GIS-ID, João Gonçalves Pereira”, que alerta para a importância de as pessoas “se responsabilizarem pela sua saúde”. O responsável lembra que, “quando se começa o tratamento, os sintomas diminuem, mas sem resolver infeção e, se a pessoa interrompe o tratamento, isso facilita a recidiva da infeção e essa recidiva pode ser mais complicada, porque pode parecer sobre a forma de abcesso, implicando tratamento com medicação, mas também tratamento cirúrgico”. Além disso – sublinha – “mais importante do que a pessoa interromper precocemente é o problema de não cumprir o horário. Isto provoca uma exposição em concentrações subterapêuticas, o que facilita (…) o aparecimento de baterias, no limite, com resistências”. O estudo – semelhante ao realizado em 2020 – mostra que aumentou o valor (80%) dos que apenas tomam antibióticos quando prescritos pelo médico (era 66% em 2020). “Parece haver maior adesão ao conselho médico, mas há uma grande desresponsabilização das pessoas pela sua própria saúde”, sublinha o presidente do GIS-ID. O estudo, que pretendeu avaliar o estado atual do conhecimento dos portugueses em relação ao consumo de antibióticos e o potencial impacto destes comportamentos no problema da resistência aos antimicrobiano, mostra que 77% não consegue identificar o antibiótico que toma e nem sempre quem diz saber os identifica corretamente. Os dados revelam ainda que aumentou o número de pessoas que referem que a duração do tratamento é a informação mais importante ao ser-lhe prescrito um antibiótico (de 37% em 2020 para 52% em 2022). Sobre a importância de entregar os medicamentos que já não usa nas farmácias, apenas metade dos inquiridos disse que o faz. São principalmente as mulheres (30% vs. 20% dos homens).

(Lusa/Health News/ in Diário Farmacêutico de 30/01/23)

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A SAÚDE NO REINO UNIDO

No NHS em Inglaterra 7 milhões de pessoas esperam por tratamento. Num mês, 38.000 pessoas esperaram mais que 12 horas para a admissão numa cama hospitalar; em mês homólogo
de 2020 só esperavam 1000 pessoas. As mortes aumentaram em média 20% nos últimos 5 anos. Os médicos de Medicina Geral e Familiar (GP’s) encurtaram 42.000 equivalentes de tempo completo. “As pessoas que estão no Poder, hoje em dia aristocratas, parecem esquecer-se das estatísticas e estão ainda menos preocupadas com as vidas que estão a ser atingidas atrás de cada número”. Pode haver progressos técnicos nos
procedimentos, mas na linha da frente do Serviço de Saúde há a sensação do colapso do sistema. Esta situação afecta sobretudo os mais vulneráveis, sobretudo os idosos. Mas estão reduzidos a números, a estatísticas. E claro que prolongam o tempo de hospitalização. A crise do Serviço Nacional de Saúde (NHS) tem que incluir “Cuidados”. “Usando uma frase de Shakespeare “a relação amor-ódio entre a medicina e a aristocracia”, o que começa mal, acaba mal.


(British Medical Journal, Kamran Abbasi, editor chefe, 2023: 380:133)

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INTERVENÇÃO DE AGUINALDO CABRAL, EM DEBATE, NO HOTEL ROMA, ORGANIZADO PELO PCP, SOBRE "A SAÚDE NA GRAVIDEZ, NO PARTO E NA INFÂNCIA - PAPEL DO SNS".

Intervenção de Aguinaldo Cabral, em Debate, no Hotel Roma, organizado pelo PCP, sobre "A Saúde na Gravidez, no Parto e na Infância - Papel do SNS", com o título "A Criança como sujeito de direitos fundamentais. A importância de políticas progressistas para o Crescimento e o Desenvolvimento das Crianças e Jovens".

Para aceder ao documento clique  aqui

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Notícias: Notícias
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PORTUGAL VOLTOU A ULTRAPASSAR A BARREIRA DOS 80 MIL NASCIMENTOS EM 2022

Portugal voltou a ultrapassar a barreira dos 80.000 nascimentos em 2022, após a quebra histórica da natalidade em 2021, revelam dados baseados no “teste do pezinho”, segundo os quais nasceram mais 4.219 bebés no ano passado comparativamente ao anterior.

Segundo os dados do Programa Nacional de Rastreio Neonatal (PNRN), que cobre a quase totalidade de nascimentos em Portugal, foram estudados 83.436 recém-nascidos em 2022, um aumento de 5,3% relativamente a 2021 (79.217), ano em que Portugal registou o menor número de nascimentos.

Antes deste mínimo registado em 2021, o número mais baixo tinha sido verificado em 2014, com 83.100 exames realizados no país, e o mais alto no ano de 2000 (118.577), segundo dados consultados pela Lusa.

Setembro foi o mês que registou o maior número de “testes do pezinho” no ano passado (7.979), seguido de agosto (7.862), novembro (7.544), outubro (7.147), março (7.097), maio (6.915), junho (6.904), dezembro (6.744), julho (6.763), janeiro (6.482), fevereiro (6.049) e abril (5.950), precisam os dados avançados à agência Lusa pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), coordenador do programa de rastreio.

Os dados indicam que os Açores foram a única região do país que rastreou menos recém-nascidos em 2022 face ao ano anterior, totalizando 1.997, menos seis do que em 2021, e Portalegre igualou o número de nascimentos (584).

Lisboa foi a cidade que rastreou mais recém-nascidos, totalizando 24.842, mais 1.348 comparativamente a 2021, seguida do Porto, com 15.255, mais 519 face ao ano anterior.

Braga registou 6.407 nascimentos em 2022, mais 574 relativamente a 2021, e Setúbal 6.373, mais 454, adiantam os dados do “teste do pezinho”, realizado a partir do terceiro dia de vida e que permite detetar 27 doenças, possibilitando uma atuação precoce e um desenvolvimento mais saudável das crianças.

Comentando estes dados à Lusa, a demógrafa Maria João Valente Rosa destacou o facto de Portugal ter voltado a ultrapassar a barreira dos 80.000 nascimentos, “o número psicológico” que se tem na cabeça quando se fala de poucos nascimentos. A professora universitária da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa adiantou que estes dados e os dados do Instituto Nacional de Estatística, que reportam a novembro de 2022, também indicam que o saldo natural (a diferença entre os que nascem e os que morrem) será “menos baixo do que em 2021”, ano em que morreram mais de 45.000 do que aquelas que nasceram. “Em 2022, em virtude deste aumento dos nascimentos, que não é muito significativo, e também pela evolução dos óbitos, podemos concluir que o saldo natural não seja tão negativo quanto foi em 2021, mas mesmo assim vai ser muito negativo”, sublinhou.

Segundo a demógrafa, o que se está a assistir “é o resultado de algo que aconteceu no passado muito recente, que levou ao retardar do projeto de parentalidade” na altura da pandemia de covid-19 por medo, insegurança, instabilidade, nomeadamente laboral, entre outras razões. Na sua perspetiva, estes nascimentos são em parte resultado dessa decisão que acabou por se concretizar ainda em 2021 com resultados em 2022.

“Este retardar do projeto pode também fazer com que, em muitos casos, um segundo e terceiro nascimento não venha a acontecer mesmo que as pessoas queiram, porque o período fértil da mulher é limitado e a capacidade biológica para se ter filhos vai diminuindo a partir dos 35”, explicou.

(Lusa, 18/01/23)

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BY FAILING OLDER PEOPLE WE PERPETUATE THE HEALTH SERVICE CRISISBY FAILING OLDER PEOPLE WE PERPETUATE THE HEALTH SERVICE CRISIS

The numbers speak for themselves—and yet they don’t. Over seven million people in England waiting for NHS treatment; 38 000 people in one month waiting for more than 12 hours for
admission to a hospital bed, when it was 1000 people waiting in the same month two years ago; primary care short of 42 000 full time equivalent GPs; and deaths running 20% above the five year average (doi: 10.1136/bmj.p88 ). 
Yet behind each statistic more than one life is affected. Each waiting list delay, each prolonged admission or deferred GP consultation, each hunt for a social care bed, each excess death, each
overworked shift in the health service is more than one life affected. It is a family, a friendship circle, a care network, a working environment, a society being stretched to its limits. Away from the numbers, beyond these horrific statistics, lies a burden that is undocumented and hidden.
People in power, today’s aristocrats, seem oblivious to the statistics and even less concerned with the lives being disrupted behind each number.
Primary and secondary care staff across the UK talk of unprecedented pressure, of exhaustion, and of the unbearable burden of delivering suboptimal care in one of the world’s richest countries (doi: 10.1136/bmj.p11  doi: 10.1136/bmj.p93  doi: 10.1136/bmj.p91  doi: 10.1136/bmj.p103  doi: 10.11
36/bmj.p119 ). 

Training is in tatters (doi: 10.1136/bmj.p116 ). A doctors’ strike is imminent (doi: 10.1136/bmj.p95 ). A decade of “managed decline,” as featured in a government commissioned report (doi: 10.1136/bmj.p71  is exacting a harsh toll. Of course, there can be
improvements in clinical practice and processes, but the clear sense from voices at the front line of the health service is of a systemwide collapse.
Amid this mayhem, staff bring solutions: ideas to tackle the immediate and medium term challenges they face (doi: 10.1136/bmj.p88 ). They bring self-sacrifice, although self-sacrifice isn’t
a viable long term strategy (doi: 10.1136/bmj.p41 ). 10  Methodologists bring new concepts, such as
clinicians’ time needed to treat (doi: 10.1136/bmj-2022-072953 ), that will allow better workload
management. People also cling to hope that, as Helen Salisbury describes, “the year will turn, the
viruses will retreat, and all governments eventually fall” (doi: 10.1136/bmj.p111 ).
The toll falls mostly on vulnerable people, especially older people. More than any other group they have become mere statistics. Bed blockers in hospital and bed blockers in social care—whether another older person dies in social care, in hospital, or at home, it has regrettably become just a
number. We must ask ourselves whether as a society we are offering older people the care, dignity, and consideration they deserve.
Older people are the most vulnerable to covid-19 and other respiratory infections; they are the
most affected by waiting lists and delays in emergency departments; and they may well benefit the most from a properly functioning primary care service. Even as the clinical features of covid evolve (doi: 10.1136/bmj.p3 ),  delirium in older people remains a clinical challenge that is hard
on patients and prolongs hospital admissions. Resolving the NHS crisis, therefore, requires a sharp focus on care for older people (doi: 10.1136/bmj.p97 ). 14  And that focus involves a greater deal of complexity than simply providing an exit route from hospital care (doi: 10.1136/bmj.p83 ).The numbers here do speak
for themselves. A real terms funding  cut of around £20bn across the NHS and social care is being met with a sticking plaster of anywhere between £200m and £500m (doi: 10.1136/bmj.p71 ).
Unlike All’s Well that Ends Well, Shakespeare’s examination of the “love-hate relationship between
medicine and the aristocracy” (doi: 10.1136/bmj.p104 ), 16  as things stand, all may not end well.

BMJ 2023;380:p133

Kamran Abbasi, editor in chief

Author affiliations kabbasi@bmj.com

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(Published 19 January 2023)

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REFORMA DE SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL CONCLUÍDA DENTRO DE "TRÊS
OU QUATRO ANOS"

O diretor do programa nacional de Saúde Mental anunciou que em “três ou quatro anos” estará concluída a reforma dos serviços desta área, incluindo a criação das 40 equipas comunitárias previstas no Plano de Recuperação e Resiliência. Dentro de três ou quatro anos isso está tudo feito, não antes. As 40 equipas estarão formadas e o resto do país estará reorganizado. Acho que não é ser demasiado otimista prever uma coisa dessas”, afirmou Miguel Xavier na audição no grupo de trabalho de saúde mental da Comissão parlamentar de Saúde. Segundo adiantou, a prestação de cuidados na área da saúde mental tem de ser feita de uma forma multidisciplinar por equipas compostas por psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais. Miguel Xavier avançou que o desenvolvimento das equipas comunitárias já está a ser feito através do “aumento do número de pessoas”, na sequência da inscrição no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) da constituição de 40 dessas equipas, algumas já criadas. “É muita gente, são 300 pessoas de novo a trabalhar na saúde mental” e que estão a ser distribuídas pelas cinco regiões de saúde de Portugal continental – Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, avançou o diretor nacional. Destas 40 equipas, 20 destinam-se a trabalhar com adultos e as restantes 20 com crianças e adolescentes, que vão ser também distribuídas de acordo como os “sítios que estão mais privados de pessoal”, adiantou. De acordo com Miguel Xavier, além das equipas previstas no PRR, e para evitar que o país tivesse um “sistema dúplice” na prestação de cuidados de saúde mental, foi necessário “transformar os recursos que já existem, reorganiza-los, no sentido de assumirem a forma de equipas comunitárias”. “É isso que está a começar a ser feito este ano”, também através de formação para estas novas equipas, adiantou Miguel Xavier aos deputados. A reforma da saúde mental que o Governo quer concluir até final de 2026 recorre a 88 milhões de euros para investimentos nesta área, disponíveis no âmbito do PRR. Entre as medidas previstas consta, na área dos cuidados hospitalares, a construção quatro novas unidades de internamento em hospitais gerais e a eliminação dos internamentos de doentes agudos em hospitais psiquiátricos.


(Lusa/in Diário Farmacêutico de 20/01/23)

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PAGAMENTOS EXTRA A ESPECIALISTAS DE GINECOLOGIA /OBSTETRÍCIA

O CEO da estrutura da Saúde, Francisco Araújo anunciou que será actualizado o pagamento feito a profissionais nos exames Pré-Natal e na Reprodução Medicamente
assistida, no sentido de motivar os especialistas a permanecerem no serviço público.
Esta medida parece estar na linha de incentivos avulso, conjunturais e portanto referentes a financiamento ocasional. Ora o que pode atrair os especialistas é a renovação dos salários e das carreiras, visto
lhes permitir um planeamento e uma perspectiva em relação ao futuro.
Também a Comissão que fora nomeada para propor soluções para as urgências desta especialidade, distancia-se da proposta de fecho alternado de urgências, que não tem
origem na comissão, sendo apenas uma solução conjuntural entre outras e explicando que só a revisão de carreiras atrairá novos médicos e nomeadamente especialistas
para o serviço público. Daniel Ferro, em artigo de opinião no Público, explica a realidade dos serviços clínicos de internamento, mas quanto à situação da urgência esta só se resolverá com outro regime de carreiras, salários e participação dos
Cuidados Primários.

I.C.

BALCÃO SNS 24 DIRIGIDO A IDOSOS E PESSOAS EM SITUAÇÃO DE DEPENDÊNCIA

O primeiro balcão SNS 24 dirigido a idosos e pessoas em situação de dependência foi inaugurado em Arcos de Valdevez, dando início ao projeto de alargamento desta funcionalidade às entidades do setor social e solidário. Trata-se de um projeto conjunto dos ministérios da Saúde e do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social que será aplicado de forma faseada e progressiva, numa primeira fase, nos lares de idosos e nas unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) que pertençam às áreas de influência de Unidades Locais de Saúde, prevendo-se o alargamento às restantes respostas sociais numa fase posterior, adianta o Governo.

(Lusa/in Diário farmacêutico de 20/01/23)

INFARMED

O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa encerrou a Sessão Inaugural das Comemorações dos 30 anos do INFARMED, I.P., condecorando a instituição com as insígnias de Membro Honorário da Ordem do Mérito. Relativamente ao contributo do INFARMED no percurso da sua história, Marcelo Rebelo de Sousa assinalou que “através da sua conduta e da credibilidade ganha ao longo destas três décadas, a confiança da população em Portugal, quanto à utilização de medicamentos e produtos de saúde, tornou-se inquestionável”, acrescentando relativamente à área internacional o “grande contributo para a diplomacia do nosso país”, destacando o INFARMED como “uma das mais sólidas agências reguladoras, projetando Portugal para além das suas fronteiras”.

(Diário farmacêutico de 20/01/2023)

EMA

A partir do dia 31 de Janeiro de 2023, o uso do Clinical Trials Information System (CTIS; sigla em inglês), será mandatório para as novos pedidos de ensaios clínicos, servindo como ponto único ponto de entrada para submissões dos patrocinadores e dos reguladores. Como o marco da implementação se aproxima, foi realizada uma reunião ad hoc no dia 18 de Janeiro de 2023, em que o Conselho de Administração da Agência Europeia do Medicamento, recebeu uma autorização das melhorias recentas introduzidas e do progresso feito até ao momento para se tornar o seu uso obrigatório. 

(Diário farmacêutico de 20/01/2023)

EMA

A Agência Europeia do Medicamento, juntamente com a European Food Safety Authority (EFSA, sigla em inglês), publicaram um relatório conjunto sobre o desenvolvimento de uma abordagem harmonizada para a avaliação da exposição alimentar de pessoas a resíduos de medicamentos veterinários, aditivos alimentares e pesticidas em alimentos de origem animal na União Europeia. 

(Diário farmacêutico de 20/01/2023)

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COMUNICADO DA ASSOCIAÇÃO DE MÉDICOS PELO DIREITO A SAÚDE (AMPDS)

QUALIDADE ASSISTENCIAL EM PROXIMIDADE

“NASCER EM SEGURANÇA NO SNS”

Os princípios que regem a segurança e eficácia em Obstetrícia, têm de ter
em conta a especificidade do tipo assistencial (médico/cirúrgico), e do que deve ser o atendimento num bloco de partos.
Nenhuma situação como a de um parto, tem um risco tão previsível de,
quando menos se espera, poder surgir uma complicação ou mesmo uma
emergência, que irá envolver em simultâneas mães e RNs.
Por esse facto, deve existir sempre a disponibilidade assistencial de
anestesia, serviço de sangue, médicos obstetras, neonatalogistas e
enfermeiras especialistas nesta área, em número suficiente, segundo as
normas das boas práticas em obstetrícia.
O parto seguro tem a ver com as condições que envolvem o trabalho de
parto e o parto.
A saída de profissionais de saúde, como médicos e enfermeiras para os
hospitais privados e para a emigração ou por reforma, atingiu o SNS na
sua força vital que é a enorme riqueza que representa a sólida formação
dos seus profissionais, no desenvolvimento de protocolos baseados na
evidência científica, e no trabalho em equipa, promovendo escola e
prestígio.
O desinvestimento, a falta de progressão nas carreiras, a falta de
investimento em novas tecnologias, fundamentais para a diferenciação
técnico-científica, e os baixos salários nos hospitais do SNS, consequência
das políticas seguidas por vários governos PSD e PS, são a causa principal do estado a que se chegou e do esvaziamento de recursos humanos, agravado pela política restritiva de numerus clausus que marcou os anos 80.
A AMPDS, reconhece que estamos num ponto de rotura, com fecho de
maternidades por falta de profissionais, em todo o país, mas principalmente na ARS Lisboa e vale do Tejo, tornando urgente um plano
de contingência com organização em rede das maternidades,

Consideramos, no entanto, que esta medida de emergência deve ser
considerada pontual, e não uma forma de fechar, em definitivo,
maternidades, por conceitos economicistas isolados, deteriorando ainda mais o SNS.
Outro ponto crítico a que a AMPDS chama a atenção, é o facto de se
solicitar principalmente aos médicos, mas também às enfermeiras, horas
de trabalho extraordinário em excesso, nas urgências, causando para além
do desgaste físico por cansaço, situações de burnout com prejuízo na
empatia dos profissionais de saúde com a grávida, e, portanto, com
consequências na qualidade assistencial.
Em relação à assistência às grávidas, defendemos serviços de proximidade
como um valor importante a ter em conta, condição incontornável para
sua humanização, assim como a facilitação da comunicação entre a
Medicina Geral e Familiar e a Obstetrícia hospitalar, criando contactos facilitados e mais diretos.
A AMPDS defende uma reestruturação de fundo, e que a melhoria da
assistência nas maternidades passe pela reposição dos profissionais em
falta, melhoria e modernização das condições de trabalho, carreiras bem
definidas, salários atualizados e de acordo com a diferenciação dos
profissionais de saúde, única forma de tornar atrativo trabalhar no SNS.
A AMPDS defende que o SNS se torne competitivo com os Hospitais
privados, na eficácia assistencial, com tecnologia de ponta, continuando a
formação de excelência dos seus profissionais, (reconhecida pelos
próprios hospitais privados, que os recrutam, e pelos países da União
Europeia), e principalmente que reponha as condições necessárias para que seja novamente aliciante trabalhar no serviço que mais provas deu de resiliência e dedicação à causa publica, como é o nosso SNS.

02/01/2023

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FNAM DIZ QUE FECHO DE URGÊNCIAS DE OBSTETRÍCIA EM LISBOA É MEDIDA PALIATIVA

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) considerou que o encerramento de urgências de obstetrícia em Lisboa é "uma medida paliativa" que restringe o acesso das grávidas a cuidados de saúde e não contribui para resolver a situação.  A FNAM refere em comunicado que foi "com preocupação" que teve conhecimento da deliberação da Direcção Executiva do Serviço Nacional de Saúde, que determina o encerramento, aos fins-de-semana e rotativamente, dos serviços de urgência de obstetrícia e ginecologia de seis hospitais da Área Metropolitana de Lisboa. Para a federação, esta medida "é uma acção paliativa" que em nada vai contribuir para resolver a situação a médio e longo prazo. Apesar de se poder argumentar que "esta medida pode dar alguma previsibilidade às utentes e manter o funcionamento de algumas destas urgências", a FNAM considera que ela é "meramente pontual e paliativa", não podendo prolongar-se no tempo nem estender-se a outras valências dos serviços de urgência sob pena de serem adiadas as medidas de fundo que permitam resolver a situação. "Vários serviços de urgência têm encerrado de norte a sul do país, em diferentes períodos do ano, por falta de médicos. Assim, a prioridade imediata do Ministério da Saúde e da Direcção Executiva deveria ser a adopção de medidas que contribuam para estancar a saída de médicos do SNS, nomeadamente a valorização salarial dos médicos e a melhoria transversal das suas condições de trabalho", defende no comunicado.

A Federação Nacional dos Médico lembra que, na tomada de posse como director executivo, Fernando Araújo defendeu ser necessário criar condições para os profissionais de saúde "poderem evoluir e equilibrar a vida profissional com a familiar". "Infelizmente, perante esta situação, preferiu ouvir as administrações e direcções de serviço dos hospitais, ignorando os médicos, os restantes profissionais de saúde e os autarcas", critica. Para a FNAM, com estas deliberações, a Direcção Executiva do SNS vem reconhecer "a forma precária de funcionamento de várias urgências de ginecologia e obstetrícia, assumindo a sua incapacidade para garantir a continuidade da sua actividade regular, e normalizando o encerramento de serviços", o que para a federação "é totalmente inaceitável". Avisa ainda que o encerramento continuado de serviços representa "uma amputação da garantia do acesso a cuidados de saúde prestados pelo SNS, em clara violação da sua missão e valores", sustentando que "não poderá aceitar em nenhuma circunstância" esta situação, "bastando já os graves transtornos e entraves sofridos pelas utentes, parturientes e suas famílias". "É o Ministério da Saúde que dispõe da capacidade e dos meios para resolver esta situação, de forma a dar um novo ímpeto ao SNS, recentrando-o no seu papel fundamental de serviço público prestador de cuidados de saúde de qualidade, garantindo o acesso aos mesmos a toda a população", defende a FNAM. (Lusa)

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BRUNO MAIA - MANIFESTO DE CANDIDATURA

Caras e caros colegas,

Gostaria de começar por desejar um bom ano de 2023. Será, certamente, um ano desafiante para todos nós, com as falhas que se acumulam no SNS, a negociação colectiva das nossas carreiras em cima da mesa e as eleições para a Ordem que se avizinham. Em momentos decisivos como este, é mais importante que nunca termos estruturas representativas fortes, insubmissas ao poder e aos lobbies e que atuem com transparência. As prioridades são claras: defender as nossas carreiras, defendendo assim o SNS e a qualidade dos cuidados que prestamos.
Entre 2009 e 2019, os médicos perderam 17% de poder de compra. Em 2022 acresce a perda salarial associada à inflação. Os salários estão estagnados desde 2013 e as carreiras foram destruídas. Ao mesmo tempo, os níveis de investimento no SNS nunca foram tão baixos. Fecham urgências, acumulam-se listas de espera e explode o número de utentes sem médico de família. Os sucessivos governos não têm criado as condições essenciais para fixar médicos especialistas no SNS. Com isso degradam a qualidade da prática médica e comprometem a formação de novos especialistas. Ser médico interno no SNS é estar sujeito a baixos salários, horários desumanos e condições inaceitáveis de precariedade laboral.
Precisamos, hoje, de uma Ordem combativa, empenhada na defesa do serviço público como garante de igualdade social e do exercício ético e humano da Medicina; que defenda carreiras tanto no SNS, como no sector privado, e que esta começa logo no primeiro ano de internato; de uma Ordem que abandone o elitismo e conservadorismo que a tem caraterizado nas últimas décadas - que respeite a autonomia dos utentes e das suas escolhas informadas, que respeite as decisões das mulheres, médicas e utentes, que combata o racismo e todas as formas de discriminação nos serviços de saúde. Precisamos de uma Ordem que olhe para a sociedade como ela é hoje, e que coloque as ambições e aspirações dos médicos e médicas mais jovens no topo das suas prioridades.
Candidato-me a bastonário para trazer a Ordem dos Médicos para o século XXI. Para defender o Serviço Nacional de Saúde público e universal e as carreiras médicas, para representar as novas gerações de médicos e médicas e colocar a Ordem ao serviço dos utentes, da sociedade e do futuro.

Bruno Maia
brunomaia2023.pt

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SITUAÇÃO NO SERVIÇO DE INTERVENÇÃO NOS COMPORTAMENTOS ADITIVOS E NAS DEPENDÊNCIAS (SIDAC)

As mortes por overdose de estupefacientes subiram 45% em 2021. Por este motivo morreram em Portugal 74 pessoas nesse ano. Quanto ao consumo e dependência de álcool, houve 25% de recaídas em relação a 2020. Houve um aumento de casos nas pessoas mais velhas, entre os 55 e os 60 anos.

A epidemia, os confinamentos e o agravamento da situação económico-social do país foram um factor de risco para estes agravamentos. No entanto, segundo o director-geral do SIDAC, João Goulão, as razões vão muito para além disso. Um serviço, que era um exemplo de êxito a nível mundial é hoje um serviço cheio de problemas. “Por falta de meios temos cada vez mais dificuldades em chegar aos toxicodependentes e em garantir que estes consigam aceder aos serviços “(…)” As pessoas vão procurar ajuda e batem com o nariz na porta porque não há médico disponível. Nem sequer são colocadas em lista de espera” disse João Goulão ao jornal Expresso de 9 de Dezembro. “Neste momento não é fácil atrair profissionais para o Serviço Nacional de Saúde em geral e em particular para esta área que é particularmente exigente” diz. Os concursos para técnicos ficam desertos. Desde há dez anos que há desinvestimento e o fecho do Instituto da Droga e Toxicodependência em 2011 provocou o desaparecimento de uma estratégia nacional, ficando as resoluções atribuídas a cada uma de seis regiões. De acordo com o director ou se tomam medidas urgentes, tanto mais que estamos a entrar numa crise económica, ou a questão dos consumos de droga e álcool, com as suas consequências, vai ser um problema muito grave no nosso país.


(Fonte: Jornal Expresso, 9.12.2022)

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BANHO GELADO DE 30 SEGUNDOS AJUDA A EMAGRECER? E TEM RISCOS?

Banho gelado de 30 segundos ajuda a emagrecer? E tem riscos?

Partilha-se nas redes sociais uma nova técnica de emagrecimento de “apenas 30 segundos”. Segundo várias publicações, tomar um banho gelado vai ativar os tecidos adiposos castanhos e queimar gorduras. Esta alegação tem fundamento científico? E quais os riscos desta prática?

A promessa de um corpo supostamente perfeito é o mote de várias técnicas de perda de peso partilhadas nas redes sociais. Apesar de a maioria destas publicações se centrarem em dietas restritivas e alimentos supostamente milagrosos, há também outras técnicas de emagrecimento a circular no Facebook. Uma das mais recentes baseia-se na alegação de que tomar um banho gelado, é uma forma de queimar gordura sem dieta e sem exercício físico. Num desses posts, em formato vídeo, diz-se que “um banho gelado de apenas 30 segundos, principalmente nos nossos ombros, costas e pescoço, pode ajudar na perda de peso”. Segundo o autor da gravação, isto acontece porque ao ser exposto ao frio o corpo ativa a produção de gordura castanha, provocando “a queima desta gordura que pode ficar acumulada por anos”.

Além disso, sustenta o criador do vídeo, “o banho gelado diminui a pressão arterial e fortalece o sistema imunológico”, lembrando que “a pessoa tem que estar em boas condições de saúde para tomar banho gelado”. Mas estas alegações têm fundamento científico? E quais os riscos desta prática? É verdade que um banho gelado de 30 segundos ajuda a emagrecer?

“Não existe nenhuma prova científica de que esta teoria resulte”, adianta, em declarações ao Viral, João Sérgio Neves, médico endocrinologista no Centro Hospitalar Universitário de São João e professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Na perspetiva do especialista, “uma técnica como a exposição ao frio, mesmo que intermitente, não será suficiente para perder peso”. O endocrinologista sublinha que, para tal acontecer, “terá de haver uma alteração no estilo de vida, na condição física” e lembra que “há também pessoas que podem ter problemas de saúde na base” que poderão dificultar o emagrecimento.

“Mesmo numa pessoa com ligeiro excesso de peso, normalmente é preciso intervir em vários campos”, prossegue João Sérgio Neves, referindo-se às alterações alimentares e ao nível da atividade física. No caso das pessoas com obesidade, o endocrinologista adianta existirem “muitos mecanismos complexos que fazem com que as pessoas com obesidade tenham dificuldade em perder peso e, mesmo depois de o perderem, voltem a ganhar com facilidade”.

Por isso, continua, “não é expectável que esta prática funcione”, embora haja “uma base subjacente” a esta ideia “que não é totalmente descabida”. O especialista refere-se à existência de dois tipos de gordura – a castanha e a branca – referidas na publicação. Enquanto os tecidos adiposos castanhos existem desde o nascimento, os brancos são reserva energética, que vão surgindo quando é ingerida uma maior quantidade de calorias do que as gastas pelo organismo.

“O tecido castanho sempre foi conhecido, existe também nos recém-nascidos. Está localizado entre as clavículas e serve para a adaptação dos bebés ao meio ambiente”, explica ao Viral, Isabel do Carmo, médica endocrinologista e professora na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Nos adultos, este tecido adiposo castanho também existe, mas a quantidade é muito variável de pessoa para pessoa.

O que se sabe sobre o frio e a ativação de gordura


Nesse sentido, os dois especialistas explicam que o tecido adiposo castanho tende a ser ativado pelo frio.
Quando é ativado, este tecido vai queimar as reservas de gordura branca para produzir calor e, assim, manter a temperatura do organismo estável – entre os 35ºC e os 37ºC. “Verificou-se – primeiro em ratos e depois em humanos – que, se o organismo fosse submetido a temperaturas muito frias, os tecidos castanhos eram ativados para libertar calor e para aquecer o corpo. Depois, começou-se a ver o que acontecia com a gordura branca”, avança Isabel do Carmo.

“Se formos submetidos ao frio, o nosso corpo vai ativar mecanismos para se aquecer. Esses mecanismos muito complexos são ativados pelos tecidos gordos castanhos, que ativam o fornecimento de energia. Tal como acontece quando fazemos dieta e o corpo vai buscar as reservas para produzir energia”, afirma a especialista.

Num estudo realizado em ratos, foram comparados os efeitos de uma dieta hipocalórica (em que a quantidade de calorias ingeridas por dia é inferior à que o organismo necessita) e o impacto das baixas temperaturas na queima de gordura. Em ambos os casos, as perdas de gordura branca foram semelhantes. No entanto, é importante ressaltar que os resultados dos estudos realizados em animais não podem ser transpostos diretamente para os humanos, dado que o funcionamento dos organismos é diferente – estes estudos são, normalmente, potenciadores de hipóteses.

João Sérgio Neves explica que “o frio poderá ser uma forma de ativar o tecido adiposo castanho e aumentar o gasto energético”, mas alerta que este resultado “varia muito de pessoa para pessoa porque a quantidade de tecido adiposo castanho nos adultos é muito variável”. 

“A literatura neste tema é muito escassa e baseada em evidências indiretas, ou seja, em estudos realizados em animais”, alerta o endocrinologista.

Além de não haver provas científicas de que os “banhos gelados de 30 segundos” tenham efeito, a publicação em análise tem também várias incorreções: a gordura castanha não é variável em função do peso e não é queimada durante o tempo em que o corpo está em contacto com baixas temperaturas. Quando são ativados, estes tecidos adiposos queimam a gordura branca, que se deposita em várias zonas do corpo quando a quantidade de calorias ingeridas é superior à gasta pelo organismo, tendo uma função de reserva energética. 

A temperatura a partir da qual o organismo ativa os tecidos castanhos e o tempo necessário para que ocorra uma redução significativa da gordura branca varia entre os estudos realizados sobre os assuntos. Um dos artigos publicados sobre o assunto refere que a exposição crónica ao frio – de pelo menos duas horas por dia durante seis semanas – “resulta não apenas no aumento da atividade de gordura castanha e termogénese induzida pelo frio, mas também uma significativa perda de massa gorda corporal”.

Banho gelado pode ter elevados riscos para doentes cardíacos


Numa das publicações onde é sugerido o banho gelado há um alerta: “A pessoa tem que estar em boas condições de saúde para tomar banho gelado.” Na verdade, além de não haver provas de que esta prática funcione, tomar “banho gelado” pode ter, de facto, riscos sérios para a saúde, sobretudo em pessoas com doenças do foro cardiovascular, alertam os dois endocrinologistas contactados pelo Viral.

Quando o organismo está em ambientes com temperaturas baixas, para evitar perder calor, o sistema nervoso simpático entra em ação. “A ativação do sistema nervoso simpático vai levar a uma sobrecarga vascular que para uma pessoa saudável não é problemática, mas para uma pessoa com problemas cardíacos poderá causar arritmias, agravamento da doença cardíaca ou até mesmo desencadear um enfarte do miocárdio”, alerta João Sérgio Neves. 

Também Isabel do Carmo deixa um aviso: “As pessoas com problemas cardiovasculares têm de ter muito cuidado com esta técnica porque podem fazer uma constrição das coronárias e desenvolver um enfarte, podem morrer”, sublinha a médica.

Para quem sofre de patologias crónicas como rinite ou sinusite, o frio poderá também ser um fator de agravamento da sintomatologia. Nos casos de doentes asmáticos com sensibilidade ao frio, estes banhos gelados vão colocar o paciente perante o principal desencadeador dos sintomas, aumentando o risco de crises.

(Fonte: Filipa Traqueia/Viral Check de 5/12/22)

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MINISTRO DA SAÚDE: “ENCONTREI UM CENÁRIO MAIS DIFÍCIL DO QUE AQUELE
QUE ESPERAVA”

Manuel Pizarro, o ministro da Saúde que sucedeu a Marta Temido, admite que o cenário do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é “mais difícil” do que esperava quando aceitou o convite para integrar o Governo em setembro. Destaca mesmo que os casos mais graves que tem em mãos são em Lisboa e Vale do Tejo e na região Sul e diz que no Norte “há maior eficiência na gestão de recursos”. O ex-eurodeputado assumiu que surpresa no estado do SNS: “Encontrei um cenário mais difícil do que aquele que esperava.” Tanto em Lisboa e Vale do Tejo como na região Sul, o ministro da Saúde explicou que “as dificuldades são muito grandes, quer por falta de recursos humanos, quer por termos deixado que o SNS ficasse um pouco para trás no processo de modernização tecnológica e no processo de requalificação de instalações”. Manuel Pizarro, apesar de não ter conhecimento das razões, explicou que “há maior eficiência na gestão de recursos na Região do Norte do que na de Lisboa e Vale do Tejo”. “O SNS tem casos de sucesso em todo o país. Agora, é verdade que na região Norte, não sei explicar inteiramente porquê — talvez porque as pessoas são mais próximas umas das outras –, há experiências de cooperação que começaram há mais tempo e que deram melhores resultados”, argumentou. Não tem dúvidas de que é preciso “fazer mais”, mas não acredita que “não haja capacidade de retenção ou capacidade de atração no setor público da saúde”. Aliás, Manuel Pizarro afirmou que “o SNS tem hoje cerca de 4300 médicos especialistas, mais do que no final de 2015” para justificar que nem todos os profissionais de saúde desejam sair para o setor privado. Porém, o ministro da Saúde admitiu que é preciso olhar para a situação das tabelas salariais para resolver os problemas do SNS. Pizarro disse ser uma “boa notícia” haver acordo com a maioria dos sindicatos dos enfermeiros para “revalorizar a carreira” e prometei que “a situação dos médicos vem imediatamente a seguir”.

(Observador/ in Diário Farmacêutico de 5/12/22)

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GOVERNO PEDE AOS PORTUGUESES PARA EVITAREM URGÊNCIAS,
MAS HÁ 1,4 MILHÕES DE PESSOAS SEM MÉDICO DE FAMÍLIA.

Ministério da Saúde tem alertado para o problema da procura excessiva e desadequada dos serviços de urgência, mas o número de portugueses sem médico de família continua a aumentar: só na região de Lisboa e Vale do Tejo um quarto das pessoas não tem médico de família. O aumento da procura das urgências hospitalares nos últimos dias está a procurar situações de espera que podem durar até 11 horas em alguns hospitais da região metropolitana de Lisboa. A tripla epidemia de COVID-19, gripe e vírus sincicial respiratório parece ser a principal causa deste aumento das idas aos serviços de urgência. O ministro da Saúde, Manuel Pizarro, diz que está à procura de soluções O ministro referiu que não está conformado com a situação e, para o demonstrar, afirma que foi acionado "um vasto conjunto de medidas para melhorar a situação", designadamente pedir para as pessoas recorrerem à "Linha de Saúde 24", ou recorrerem aos "176 centros de saúde que estão a funcionar com horários complementares e horários ao fim de semana", para evitar a concentração das pessoas nas urgências.  Segundo os dados do SNS, no Hospital Santa Maria o tempo médio de espera para doentes urgentes é de 11 horas e 10 minutos e no São Francisco Xavier são 33 minutos, quando o tempo recomendado é de 60 minutos. No entanto, existem 1,4 milhões de pessoas em Portugal sem médico de família. Esse número equivale a praticamente um sétimo do total de pessoas inscritas no Serviço Nacional de Saúde (SNS). A situação é mais grave em Lisboa e Vale do Tejo, região onde uma em cada quatro pessoas (25,5%) não tinha médico de família no mês de novembro. No Algarve, a falta de médicos deixa 18,4% da população a descoberto. Também no Alentejo 15% dos cidadãos não têm médico de família atribuído. Na região Centro, a falta de médicos atinge 9% da população. A situação é menos grave no Norte, onde 2,5% dos inscritos estão sem médico de família.

(Lusa/ in Diário Farmacêutico de 6/12/22)

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Doctor Diagnosis

VIH/SIDA

Foram notificados 1803 novos casos de infecção pelo vírus de Imunodeficiência Humana, entre 1 de janeiro de 2020 e 31 de Outubro de 2022. Há uma tendência decrescente quando se compara com idênticos períodos nos anos de 2012 e 2021, que abrangem mais tempo, contando espaços de meses equiparados. No entanto, Portugal continua a ter taxas elevadas, comparando com os outros países da Europa Ocidental.
Por outro lado, continua a assinalar-se que há muitos diagnósticos tardios, o que significa mais contágio e início atrasado no tratamento.

(Fonte: Direcção Geral de Saúde e Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge)

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APROVADA PRIMEIRA IMUNOTERAPIA DO MUNDO PARA A DIABETES TIPO 1 NOS EUA

A primeira imunoterapia criada para a diabetes tipo 1, que atrasa, em média, 3 anos o desenvolvimento desta doença em pessoas com alto risco, foi aprovada nos Estados Unidos da América, pela Food and Drugs Administration (FDA). A APDP congratula-se com a decisão de aprovação do maior avanço no tratamento da doença desde a descoberta da insulina há 100 anos.

“Na diabetes, cada dia conta, e o atraso no desenvolvimento da doença é uma grande vitória! Significa mais três anos, em média, durante os quais as pessoas podem viver sem terem de se preocupar com injeções, contagem de hidratos de carbono e controlo da glicemia, mas não só. Poderá ajudar também a protegê-las do desenvolvimento de complicações a longo prazo.”, frisa José Manuel Boavida, presidente da APDP.

Pela primeira vez em 100 anos, o tratamento da diabetes tipo 1 sofre uma grande mudança e as atenções viram-se agora para o prolongamento do período durante o qual a insulina não é necessária. “Estamos hoje mais próximos do dia em que a diabetes tipo 1 poderá ser prevenida ou até curada, é um momento histórico! Para isso, temos de alargar o acesso a esta imunoterapia a todo o mundo”, defende o presidente da APDP.

Na diabetes tipo 1, o sistema imunológico destrói as células do pâncreas que produzem insulina. “As imunoterapias são novos tratamentos que reprogramam o sistema imunológico para interromper o seu ataque ao pâncreas, lidando com a causa da diabetes tipo 1, neste caso específico.”, explica João Filipe Raposo, diretor clínico da APDP. Ou seja, a imunoterapia agora aprovada consiste “num anticorpo programado para atacar as células imunes responsáveis pela destruição das células beta produtoras de insulina. Isto permitirá produzir insulina durante mais tempo.”, acrescenta.

Para o sucesso deste tratamento preventivo, é necessário que este seja combinado com programas de rastreio que permitam identificar as pessoas em risco. Através de um teste ao sangue, é possível detetar sinais precoces de que o sistema imunitário já iniciou este processo de destruição mesmo antes de a pessoa desenvolver sintomas de diabetes tipo 1. “Saber quem está em risco abre uma janela para usar a imunoterapia e interromper o ataque imunológico antes que ele progrida demais.”, remata o diretor clínico da APDP. Esta imunoterapia pode ser agora prescrita nos Estados Unidos da América a pessoas com mais de oito anos e com alto risco de virem a desenvolver diabetes tipo 1. No Reino Unido, em parceria com o Sistema Nacional de Saúde (NHS), o processo de aprovação também já foi iniciado. Está ainda a ser testada a possibilidade de ser utilizada em pessoas recentemente diagnosticadas com diabetes tipo 1, na tentativa de proteger as células beta produtoras de insulina remanescentes.

(Newsletter APDP de 30/11/22)

EM FRANÇA, OUTRO SISTEMA, AS MESMAS DIFICULDADES
MORTOS NAS URGÊNCIAS, PEDIATRIA A AFOGAR-SE, GREVE DOS MÉDICOS PAGOS
PELA SEGURANÇA SOCIAL

Os hospitais públicos enfraquecidos afrontam três epidemias: Covid, gripe,
bronquiolites. Na pediatria, dez mil cuidadores interpelam o presidente da República.
Do lado dos serviços de adultos, os médicos da urgência resolveram contar aqueles que morrem nas macas, à espera. E ao mesmo tempo, os médicos com gabinete
liberal, pagos pela segurança social, entraram em greve. O regime de Saúde em França é diferente do português. É a Sécurité como serviço público que
paga os serviços privados. Apesar deste sistema, que articula público e privado, tal como é tão desejado
por certos sectores em Portugal, o acesso aos cuidados não funciona. A causa é a mesma – a falta de investimento na Saúde, que condicionou a redução de camas
hospitalares e a esperança vã de complementação com os privados, que não são suficientes nos Cuidados de Clínica Geral e são mal pagos – estes prometem 80% de
adesão.

(Fonte Caroline Coq-Chodorge, Mediapart, 30.11.2022)

“PROBLEMA CRÓNICO DAS URGÊNCIAS”

Anunciou o Ministro da Saúde que se vai minorar no problema das urgências
hospitalares com aberturas dos Centros de Saúde com horas complementares. De facto melhorará se os doentes das pulseiras “azuis” e “verdes” foram enviados directamente para esses Centros abertos para além das horas habituais.
Pergunta-se: estarão abertos à noite? E em Lisboa e Vale do Tejo, onde mais faltam os médicos de família, haverá especialistas de Medicina Geral e Familiar para os atender?
Admita-se que essa resposta será dada. Mas decerto que se trata de pagar horas complementares a vários profissionais. Ou seja, há dinheiro, para esta circunstância, em relação à qual o Ministério das Finanças abre a bolsa. Mas não se ouve falar que a abra para carreiras e dedicação plena, o que levaria a orçamento não conjectural, mas permanente. A decidir pelo Ministério da Saúde. Entretanto, nos hospitais da Região de Lisboa e Vale do Tejo não são só os doentes “azuis” e “verdes” que esperam. Os “amarelos” e mesmo os “laranjas” esperam horas. E os corredores cheios de macas funcionam como uma enfermaria de observação e espera.

Notícias: Notícias

PANORAMA ACTUAL DOS SERVIÇOS DE SAÚDE EM FRANÇA. A MESMA POLÍTICA, OS

MESMOS RESULTADOS

Bronquiolites, diabetes, enxertos: em pediatria em todas estas vertentes há uma triagem enlouquecedora dos pequenos doentes.
O ministro da Saúde está a perder a paciência: em resposta a uma pediatra que denúncia a triagem dos doentes, diz-se chocado e ameaça “um inquérito”.

Numerosos médicos confirmam no entanto à agência Mediapart em todas as especialidades, face a todas as urgências, fazem triagem e não querem assumir sozinhos a responsabilidade.
A médica Julie Stark, reanimadora pediatra no Hospital Trousseau, em Paris, pronunciou as palavras difíceis na RTL a 10 de Novembro: “Somos obrigados a fazer a triagem das crianças”. O ministro François Brun declara que estas práticas “desviantes”
serão objecto de inquérito.

(Carolina Coq-Chodorge, Mediapart, 12 de Novembro)

“OS CUIDADOS SÃO UM HUMANISMO”

Carta aberta do pediatra de urgência Wifrid Sammut ao ministro da Saúde.


(…) O teu passado de sindicalista sempre entusiasta a defender o Hospital público devia jogar a nosso favor face à Bercy  (…).
Há meses que o problema principal identificado é o número de camas disponíveis, sobretudo em geriatria. As durações de tempo de permanência nos serviços de urgência bateram todos os recordes para as pessoas com idade superior a 75 anos: por
vezes mais de 72 horas para passar de uma maca para uma cama no serviço de urgência. Mas a comunicação do Ministério na rentrée foi formal: “aguentámos”.
Aliás, podemo-nos interrogar sobre o sentido deste “nós”. “Eles aguentaram” seria mais adequado, ao passo que “nós” nos sentimos abandonados pela nossa tutela (…).
O famoso Plano de Saúde é um plano de Saúde Pública, que se baseia nos colegas generalistas. Mas, já completamente esgotados, só existem para uma parte da população, o resto é remetido para cabines de teleconsultas de eficácia discutível (…).
No entanto os simples indicadores alarmavam-nos há anos. Horas de espera para encontrar um ortopedista para se ocupar da fractura de uma criança! (…). Os estabelecimentos de Cuidados Continuados a privilegiar os actos de forte valor acrescentado em detrimento da actividade quotidiana e da Saúde Pública, menos valorizada (…).
A “má prática” está autorizada nos serviços de urgência. Bem-vindos ao Absurdo! Já não estamos apenas a um passo (…) o nosso sistema de cuidados paliativos está ultrapassado e não chega para fazer face aos pedidos de acompanhamento de doentes
quando já não têm resultados terapêuticos (…). Depois de ter sofrido os filtros do Percurso e depois de um concurso, os futuros “doutores” só aspiram a uma coisa: “rentabilizar” o seu esforço. Isso poderá ser uma
ambição digna de um sindicalista tornado Ministro.
Vá, François, coragem! Pelos teus colegas que continuam a acreditar, apesar deles, apesar de ti!

Wifrid Sammut
Médico hospitalar e delegado da AMUF
(Mediapart, 12 de Novembro)

RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA MATA MAIS DE 35 MIL PESSOAS POR ANO NA EUROPA

Resistência antimicrobiana mata mais de 35 mil pessoas por ano na Europa, segundo um relatório do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), sendo o impacto da resistência antimicrobiana na saúde é comparável ao da gripe, tuberculose e sida juntos. Além disso, o relatório destaca que os países do norte da Europa reportaram taxas mais baixas de resistência antimicrobiana, contrariamente aos países das regiões do sul e do leste. Pode consultar este e outros relatório publicados no âmbito deste tema aqui

ESPECIALISTA DIZ QUE SOBREVIDA DOS DOENTES COM CANCRO DO PÂNCREAS A CINCO ANOS DUPLICOU EM 10 ANOS

Especialista diz que sobrevida dos doentes com cancro do pâncreas a cinco anos duplicou em 10 anos, graças a esquemas de quimioterapia mais eficazes e à melhor identificação dos doentes, disse o médico Ricardo Rio-Tinto, presidente do Clube Português do Pâncreas. Pode ler a intervenção na integra aqui.

Notícias: Notícias
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PETIÇÃO A EXIGIR NOVOS DISPOSITIVOS AUTOMÁTICOS DE INSULINA CHEGOU AO PARLAMENTO

Cerca de 25 mil assinaturas foram entregues na Assembleia da República, no Dia Mundial da Diabetes, para que as mais de 5.000 crianças e jovens com diabetes tipo 1 tenham acesso aos novos dispositivos automáticos de insulina.
Segundo José Manuel Boavida, presidente da APDP, em entrevista à Lusa, “haverá em Portugal cerca de 30 mil pessoas com diabetes tipo 1”, a doença crónica mais frequente nas crianças e jovens, cuja qualidade de vida pode ser “grandemente melhorada” com os novos dispositivos automáticos de insulina.
A petição, promovida pela APDP, por serviços de saúde e por pais de crianças e jovens com diabetes tipo 1, salienta que “o sistema de bombas de insulina híbridas ou automáticas é já uma realidade em Portugal, mas ainda não tem o alcance necessário e implica um valor incomportável para as famílias”.
“Trata-se do sistema cuja performance mais se aproxima do pâncreas artificial, administrando insulina automaticamente e ajustando-a de acordo com as necessidades individuais. É revolucionário na medida em que melhora substancialmente a saúde das pessoas com diabetes, permitindo-lhes viver quase como se não tivessem a doença“, sublinha o texto da petição.
De acordo com o documento, a utilização destas bombas pode proporcionar uma melhor compensação, assim como uma redução em 80% do número de picadas nos dedos e 95% do número de injeções que uma pessoa com diabetes tipo 1 tem de dar por ano, contribuindo para “uma melhoria significativa da qualidade de vida das crianças, mas também das suas famílias e outros cuidadores“.
“Apelamos, desta forma, ao acesso desta população, sob prescrição de especialista, aos sistemas de bombas de insulina híbridas em todos os centros de colocação de bombas do país“, reivindica a petição.
No Dia Mundial da Diabetes, um grupo de peticionários foi recebido por representantes do Gabinete da Presidência da Assembleia da República, para a entrega oficial da petição.

(Newsletter APDP 11/22)

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CONCENTRAÇÃO NO MERCADO GLOBAL DE VACINAS

Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado revela que 10 fabricantes de vacinas, de um total de cerca de 100, concentram a quase totalidade do mercado global. Entre as 10 empresas que controlam 80% do setor a nível mundial, oito aumentaram o seu negócio ao produzirem vacinas próprias para a covid-19 ou com licença de outras companhias – Pfizer, Moderna, Instituto Serológico da Índia, Bharat Biotech, AstraZeneca, Haffkine, CNBG (Sinopharm) e Sinovac. O relatório realça que para muitas doenças “apenas dois ou três fabricantes asseguram a maior parte do fornecimento” de vacinas, contribuindo para uma concentração e práticas quase monopolistas que levam “a problemas sanitários e à falta de acesso, especialmente em África e no Médio Oriente”. A OMS denuncia a falta de interesse em investigar vacinas para doenças que afetam os países menos ricos, como a febre de Lassa ou a infeção pelo vírus Zika, por contraste com o forte investimento em vacinas para a covid-19, que foram produzidas num tempo recorde inferior a um ano (por norma, uma vacina demora 10 anos a ser desenvolvida). Pode consultar o relatório aqui 

(Lusa/Health News/ in Diário Farmacêitico de 10/11/22)

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MÉDICOS MOÇAMBICANOS MARCAM PRIMEIRA GREVE DA FUNÇÃO PÚBLICA EM NOVE ANOS

Maputo, 04 nov 2022 (Lusa) - A Associação Médica de Moçambique anunciou hoje uma greve nacional por 21 dias, a partir de segunda-feira, que a concretizar-se será a primeira na função pública em nove anos.

A anterior paralisação dos trabalhadores do Estado foi também uma greve de médicos, em maio de 2013, na altura reivindicando melhores condições de trabalho.

Desta vez, os profissionais de saúde anunciaram a greve alegando ter passado a receber menos com a nova Tabela Salarial Única (TSU) da função pública, que entrou em vigor em outubro. A classe reivindica a reposição de subsídios previstos no Estatuto do Médico e a correção de erros de enquadramento nas carreiras profissionais. Alguns clínicos gerais que auferiam 60 mil meticais (951 euros), passaram a ganhar 35 mil meticais (554 euros), exemplificou o presidente da Associação Médica de Moçambique, Milton Tatia. “Vamos entrar em greve às 07:00 [05:00 em Lisboa] de segunda-feira, uma paralisação nacional, com a exceção dos serviços mínimos, ao nível das urgências”, disse o dirigente à Lusa. 

Tatia avançou que todas as categorias de médicos vão parar, “do clínico geral ao médico que está prestes a reformar-se”, porque os problemas causados pela TSU "abrangem-nos a todos”.

“A adesão a esta greve vai ser enorme”, antecipa. O protesto vai paralisar consultas externas não urgentes, cirurgias eletivas (programadas, mas adiáveis), campanhas de vacinação com supervisão médica, acompanhamento de estudantes estagiários de medicina e ações formativas envolvendo médicos. Não vão parar as cirurgias, nem exames ou outros serviços de urgência.

Milton Tatia afirmou que foram divulgadas “escalas e diretivas” junto dos médicos para assegurar a prestação de cuidados que não devem ser suspensos devido à greve.

O Governo não deu provimento às reivindicações, apesar das negociações na quarta-feira, numa reunião realizada depois de entregue o pré-aviso de greve ao ministro da Saúde, Armindo Tiago.

“O Governo não quer conceder os subsídios que estão plasmados no nosso estatuto e quer continuar com aquela redução drástica”, queixou-se Milton Tatia.

Grupos de professores também têm ameaçado com greves, boicotando exames, em protesto contra erros na TSU.

O Governo moçambicano anunciou na quarta-feira ter criado uma comissão que vai funcionar durante um ano, para resolver cada reclamação de funcionários públicos prejudicados com a nova tabela no prazo de 15 dias.


Notícias: Notícias
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2º ENCONTRO ROSA DA AMIGAS DO PEITO/CHULN

Vai ter lugar o 2º Encontro Rosa da Amigas do Peito/CHULN a decorrer no dia 14 de Novembro na Aula Magna da Faculdade de Medicina, no Hospital de Santa Maria, piso 3, elevadores 8 e 9.
O tema é "Cancro da Mama - Estadio precoce", que felizmente atinge grande parte das nossas mulheres.
Apareça.
Todo o conhecimento é uma mais valia.


Dr.ª Emília Vieira
Presidente da Direção da Associação Amigas do Peito

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COVID-19

MINISTRO DA SAÚDE DIZ QUE PORTUGUESES PODEM SENTIR-SE SEGURO

O ministro da Saúde, Manuel Pizarro, afirmou que os casos de internamento e de mortes devido à covid-19 são “factores de atenção”, mas assegurou que neste momento “não há nenhuma razão” para que os portugueses se sintam inseguros. “Há motivos de atenção, mas não de preocupação”, afirmou Manuel Pizarro, quando questionado à margem da conferência em Lisboa, sobre o alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) para os países se prepararem para o aumento de infecções e hospitalizações devido à covid-19. Manuel Pizarro disse que há indicação que está a haver um maior aumento da incidência da covid-19 em vários países mas afirmou “não parece haver mais gravidade”. “Não parece que esta nova variante se traduza numa doença mais grave nem parece que esta nova variante consiga escapar ao efeito da vacina, o que quer dizer que a prioridade continua a ser a mesma prioridade que temos até hoje, que é fazer com que as pessoas se vacinem”, disse o governante. Desse ponto de vista, sublinhou, “felizmente as coisas estão a correr bastante bem”, aludindo à campanha de vacinação que está a decorrer contra a covid-19 e contra a gripe. O ministro da Saúde destacou, a este propósito, que mais de 1,6 milhões de portugueses já se vacinaram contra a gripe. Adiantou ainda que 1,5 milhões de portugueses já se vacinaram contra a covid-19 “em todas, ou praticamente todas, as unidades residenciais para pessoas idosas e unidades da rede Cuidados Continuados”. Questionado sobre se o aumento de casos, de internamentos e mortos com a aproximação do Inverno gera preocupação, Manuel Pizarro insistiu que “são factores de atenção”, realçando que o número de internamentos em enfermaria geral e em cuidados intensivos e os números da mortalidade são praticamente idênticos nas últimas semanas em Portugal. “Acho que o que posso dizer com garantia é que não houve nenhuma mudança notável depois de termos decidido, do meu ponto de vista de forma muito adequada, e com toda a base técnica e científica, interromper o estado de alerta”, vincou o governante.

(Lusa 27/10/22)

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ESTUDO EUROPEU PARA DETETAR RISCO DE CANCRO DA MAMA EM MULHERES JOVENS ABRANGE HOSPITAL DE LISBOA.

O Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) vai integrar um estudo europeu para identificar o risco de cancro da mama em mulheres jovens, através de um teste genético que está a ser desenvolvido por uma equipa internacional. O CHULN será o “único hospital português a disponibilizá-lo às mulheres que o queiram realizar para determinar o risco genético acrescido de vir a desenvolver a doença e adequar os rastreios e medidas a esse risco”, adiantou hoje o centro que integra os hospitais Santa Maria e Pulido Valente, no Dia Nacional de Luta Contra o Cancro da Mama.

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QUANDO OS ”MITOS” MÉDICOS NÃO SE BASEIAM EM PROVAS

No encontro anual do American College of Physicans, o Dr. Douglas Paauw, Professor de Medicina da Universidade de Washington, Seattle expôs alguns dos mitos correntes. Quanto a ele, há “verdades” que vão passando de geração em geração e
não pensam se realmente tem fundamento. Ou seja, não voltam a pensar no assunto.
Deu alguns exemplos:


Alergia a mariscos e contraste iodado
Segundo ele persiste o mito de que quem tem alergia a mariscos pode ter alergia ao contraste iodado para angiocardiografia. Esta crença surgiu porque tanto o peixe como os mariscos contêm iodo e é comum a
alergia a estes alimentos.
É uma crena muito espalhada: 65% das radiologistas e 88,9% dos cardiologistas de intervenção dizem que fazem a pergunta aos doentes antes de administrar contraste.
E um terço dos radiologistas e 50% dos cardiologistas ou não injectam o contraste ou fazem pré-medicação aos doentes que referem essa alergia. Diz o especialista que não faz sentido, visto que iodo existe em muitos outros alimentos e que as alergias aos
mariscos se devem à proteína parvalbumina e à tropomiosina e não ao iodo.

O dogma da colonoscopia
Há muito que se acredita que antes de uma colonoscopia o doente deve estar sob uma dieta líquida e clara por 1 a 2 dias antes de beber a preparação líquida para limpar os intestinos. Mas há provas que mostram que não é necessário. Um estudo de 2020 chegou à conclusão que um regime de baixos resíduos, tal como carne, ovos, lacticínios e pão é comparável à dieta líquida em termos de preparação
das fezes e detecção dos pólipos durante o exame. Os doentes em regime de baixos resíduos têm menos náuseas, menos vómitos e menos fome, o que os predispõe a
estarem mais disponíveis para um próximo exame.

“Deixem-nos comer”.

Metronidazol e álcool

Há a crença de que os doentes que estão a tomar metronidazol não devem beber álcool, porque lhes provoca náuseas, vómitos, vermelhidão nas faces e outros sintomas, a chamada reacção dissulfiram, que se provoca voluntariamente para tratar o alcoolismo. Realizados testes em ratinhos, feitos testes em voluntários, doseado o acetaldeído no sangue, verificou-se que este aumentava no cólon mas não ia para a via sanguínea.

Cefaleias de sinusite
De acordo com o Dr. Paauw as dores de cabeça atribuídas a sinusite são a maior parte das vezes enxaquecas.
Realizou-se um estudo com 2.991 doentes que referiam pelo menos seis dores de cabeça nos últimos 6 meses, que classificavam como sinusite. Em 88% destas cefaleias aplicavam-se os critérios para enxaqueca, da Sociedade Internacional da Enxaqueca.


(Fonte: Medscape Medical News, 2022. O Dr. Paauw pertence ao conselho editorial
da Internal Medicine News)

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INACTIVIDADE FÍSICA E CUSTOS ASSOCIADOS

Cerca de 500 milhões de pessoas sofrerão de doenças não transmissíveis devido à inatividade física até 2030, caso os governos não adotem medidas urgentes para incentivar o exercício físico, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com relatório da OMS hoje divulgado, o custo anual da inatividade física está estimado em cerca de 27.000 milhões de dólares (27.400 milhões de euros) a nível global, devido ao tratamento de novos casos de doenças não transmissíveis. “Quase 500 milhões de pessoas desenvolverão doenças cardíacas, obesidade, diabetes ou outras doenças não transmissíveis atribuíveis à inatividade física entre 2020 e 2030, que custam 27 mil milhões de dólares por ano, se os governos não tomarem medidas urgentes para incentivar mais atividade física nas populações”, avança a organização.

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RSE - SE HÁ CONSENSO VAMOS ENCONTRAR A SOLUÇÃO

A Plataforma Reforçar o SNS vai realizar a Conferência, a ter lugar no próximo dia 18 de outubro de 2022 no Auditório do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, com o título RSE - se há consenso vamos encontrar a solução, que tem como anfitriões os Professores Henrique de Barros e Manuel Sobrinho Simões.

 

A prestação de cuidados de saúde exige um sistema de informação, o Registo de Saúde Electrónico (RSE), que sustente e potencie o acompanhamento do percurso de vida das pessoas, na saúde e na doença, capacitando-as na sua gestão, num contexto de morbilidade múltipla, garantindo a integração e a continuidade de cuidados. Esta iniciativa visa exigir que da oportunidade criada pelo PRR-Transição Digital na Saúde resulte um RSE único e nacional e centrado no cidadão.

As inscrições devem ser efetuadas através do mail do Gabinete de Comunicação do ISP UP - comunicacao@ispup.up.pt

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EFEITOS DO REGIME ALIMENTAR BASEADO NA AGRICULTURA SIMBIÓTICA, NO
MICROBIOMA INTESTINAL E NO RISCO DE SÍNDROME METABÓLICA

A síndrome metabólica é a designação que se aplica a pessoas que têm obesidade, hipertensão arterial, alterações do açúcar e das gorduras do sangue. Têm uma grande prevalência nas populações de países desenvolvidos, entre eles Portugal. A utilidade da detecção desta síndrome é ser um factor de risco de doença cardiovascular. 

A agricultura simbiótica, praticada já em Portugal em algumas zonas (reportagem em jornal online 74) consiste em salvaguardar a simbiose que existe no solo entre fungos e bactérias, mantendo culturas diferentes nos mesmos espaços do terreno, o que vai trazer também bio- sequestração do carbono. Assim, os micro-organismos de uns e outros servem de fertilização cruzada e de produção de vitaminas por esses fungos e bactérias, que são também antioxidantes no organismo humano. A microbiota ou microbioma é constituída por bactérias que existem aos milhões nos nossos intestinos e que têm influência na forma como é metabolizado o alimento.

Há trabalhos, entre eles portugueses (Conceição Calhau) que mostram que um microbioma “bom” tem um efeito anti-síndrome metabólica. Isto pode determinar os critérios de escolha de compra de alimentos vegetais. 


(Fonte: Sílvia Torrone e col, Nutrients, 2021, 13, 2081)

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À COMUNICAÇÃO SOCIAL | RSE EM DEBATE NO PORTO ISP UP | 18 OUTUBRO | PRESENCIAL E ONLINE

CONFERÊNCIA DEBATE - ATRASO NO REGISTO DE SAÚDE ELECTRÓNICO

 

A Plataforma de Associações de Profissionais de Saúde “Reforçar o SNS” vai realizar no próximo dia 18 de outubro uma Conferência no Auditório do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto sobre o Registo de Saúde Eletrónico (RSE).

Esta conferência, patrocinada pela Fundação Pulido Valente, constitui mais um passo da exigência que colocamos no sentido do Registo de Saúde Eletrónico, único e nacional, ser desenvolvido e implementado no âmbito da Transição Digital na Saúde.

Este projeto, ao qual o PRR atribuiu 300 milhões de euros, está a ser desenvolvido pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde com o Ministério da Economia sem participação e com desconhecimento do Ministério da Saúde.

O RSE é uma ferramenta estruturante do Serviço Nacional de Saúde (SNS), prioritário e fundamental na transição digital na saúde. É inaceitável que este financiamento a fundo perdido se perca em produtos de interesse secundário e duvidoso, por razões obscuras: incapacidade técnica, compadrio ou corrupção?

Sem dúvida que está em causa uma incapacidade política para assunção de uma solução de interesse nacional.

Depois de um ano de diligencias e de realização de iniciativas publicas com a participação dos mais altos dirigentes do Ministério da Saúde, do PRR, do Ministério da Economia e de declarações públicas do Primeiro Ministro sobre o tema, nada mudou.

Continuamos a exigir o desenvolvimento e implementação do RSE tal como é definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelas normas ISO/NP, referente a cada pessoa, funcionalmente concebido como uma plataforma integradora de dados, para o qual o Governo deve apresentar um plano estratégico e um modelo de governação.

Numa altura em que vêm a lume casos graves de utilização indevida dos dados de saúde de cidadãos portugueses deverá caber ao Estado e, concretamente, ao Ministério da Saúde, a responsabilidade do controlo dos dados de saúde dos cidadãos, independentemente dos prestadores.

Se não for o Estado a definir as regras e um modelo de RSE robusto e suportado por uma infraestrutura segura e centralizada podemos confiar, na situação atual, em modelos abertos, com responsabilidades diversificadas e limitadas?

SE HÁ CONSENSO, VAMOS ENCONTRAR A SOLUÇÃO!

A Plataforma Reforçar o SNS

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LA ADSPM FRENTE AL CRECIMIENTO DE LOS SEGUROS PRIVADOS EN MADRID

Desde la Asociación para la Defensa de la Sanidad Pública de Madrid tenemos que señalar que el aumento en la contratación de seguros privados en la Comunidad de Madrid no es, sino el resultado de la política intencionada de deterioro y jibarización de la Sanidad Pública que está llevando a cabo el gobierno de la señora Ayuso.

Es evidente que el importante deterioro de la Atención Primaria es una de las principales causas de esta situación. Las demoras que se están presentando para las citas en Atención Primaria y la dificultad para conseguir una atención presencial son un claro incentivo para que aquellas personas que tengan una situación económica que se lo permita acudan así al sector privado.

Está claro esta competición que están realizando los diferentes gobiernos autonómicos del Partido Popular en la bajada de impuestos está teniendo un impacto muy significativo y negativo sobre el funcionamiento de los servicios públicos.

ADSPM (26/09/2022)

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PROBLEMAS DE LA SANIDAD EN PORTUGAL

ISABEL DO CARMO

Na Revista Salud2000, da Federación de Asociaciones para la Defensa de la Sanidad Pública, de Setembro de 2022, pode ler o artigo "Problemas de la Sanidad en Portugal" de Isabel do Carmo.

Para aceder ao artigo, clique aqui

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DEMISSÃO DA MINISTRA DA SAÚDE

Como Plataforma Reforçar o SNS, cujo conjunto de associações esteve sempre em diálogo aberto com a Ministra da Saúde, Marta Temido, cumpre-nos dizer o seguinte: Esta Ministra esteve sempre na defesa da nova Lei de Bases da Saúde, aprovada em 2019, a qual alterou o quadro do Serviço Nacional de Saúde (SNS), caracterizando-o de forma clara como público e universal, corrigindo a Lei de
1990 e o respectivo Estatuto de 1993, os quais permitiram o desenvolvimento
do mercado e a indústria da Saúde, financiando os privados em grande parte através do orçamento público do SNS.
Esta Ministra enfrentou com coragem e grande esforço as consequências da
pandemia, à qual o SNS e os seus profissionais responderam de forma eficaz e muito abnegada, apesar das condições de escassez remuneratória, física e de equipamentos, que se arrastavam há vários anos.
Foi esta Ministra, que, perante milhares de profissionais e perante a população
portuguesa, deu a cara nos momentos mais difíceis.
Foi atacada por várias instituições, personalidades e comentadores, de forma sistemática, irresponsável e alarmista, causando danos ao ambiente social e de Saúde Pública.
Era agora o momento de negociar carreiras profissionais, nomeadamente dos médicos, sendo que a escassez de especialistas não é da sua responsabilidade.

Era o momento de enfrentar inimigos externos e internos, responsáveis
políticos e estruturas intermédias de poder. Seria um momento para este
Governo mostrar coesão, coragem e solidariedade.
Nesta conjuntura não houve margem para a Ministra levar a cabo o Programa de Saúde, constante do Programa do Governo e de disponibilizar com autonomia, os orçamentos da Saúde aprovados dentro dos Orçamentos de
Estado.
Ora, Estado Social é aquele em que os Serviços Públicos, nomeadamente Saúde e Educação, procuram contrabalançar as desigualdades de base da sociedade em que vivemos. É para isso que também servem os impostos, que deverão ser de acordo com o património e os rendimentos.
Testemunhámos que era este o pensamento da Ministra demissionária, a qual se dispôs por várias vezes a participar em sessões abertas à comunicação social e ao público, sem restrições, o que não é comum nos governantes.

30 de Agosto de 2022

Isabel do Carmo (médica Endocrinologista)

Jaime Mendes (médico Cirurgião Pediátrico)

Jennifer Santos (médica Psiquiatra)

João Durão de Carvalho (Engenheiro) 

Margarida Santos (Professora Universitária)

Maria Augusta Sousa (Enfermeira) 

Manuela Silva (médica Psiquiatra)

Rui Pulido Valente (Engenheiro Mecânico e Professor Universitário)

Teresa Gago (médica dentista)

Ana Matos Pires (médica Psiquiatra)

António Madama Neves  (médico Psiquiatra)

Artur Lopes (médico Cirurgião)

Carlos França (médico de Medicina Intensiva)

Carlos Monjardino (Presidente do Conselho de Administração da Fundação Oriente)

Carlos Vasconcelos (médico Endocrinologista)

Carina Ramos (Enfermeira)

Gabriela Victorino Lavinha (professora)

Graciela Simões (médica de Medicina do Trabalho)

Joaquim Lima (médico anestesista)

João Correia da Cunha (médico Cardiologista)

João Lavinha (investigador do INSA)

Manuel Sousa Ligeiro (Administrador Hospitalar)

Maria Isabel Loureiro (médica de Saúde Pública)

Mário Durval (médico de Saúde Pública)

Rita Nazário (Psicóloga)

Rui de Oliveira (médico de Patologia Clínica)

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IDEOLOGIA E SAÚDE

Preconceito ideológico é o novo eufemismo da direita sempre com o intuito de esconder os verdadeiros objetivos: impor a sua ideologia. Os nomes foram mudando, consoante os tempos. Já foram chamados de técnicos e apolíticos e sobre esta cobertura serviram durante a ditadura.

A ideia ficou e mesmo hoje afirma-se: “Tu aqui só deves dar o teu parecer técnico, a decisão política compete ao ministro.” Isto diz-se e repete-se nas direcções-gerais e noutros departamentos de Estado. Como se um parecer técnico, que a maioria das vezes mexe com a vida das populações, não tivesse conteúdo político. Assim os detratores do SNS, ou melhor, os falsos amigos do SNS, aproveitando a vacatura no Ministério da Saúde, voltam ao ataque. Esta Lei de Bases está cheia de “preconceitos ideológicos”, deveríamos deixar tudo como estava com a obrigatoriedade de apoiar os hospitais privados. Aqui tiveram uma derrota, ganhou a ideologia.

A Iniciativa Liberal, o PSD, a SEDES e até o Presidente da República defendem uma gestão autónoma do SNS independente do poder político

Por isso agora agarram-se ao Estatuto do SNS. O SNS já não responde aos desafios do século XXI, então é preciso reformá-lo o que eufemisticamente quer dizer privatizá-lo. A Iniciativa Liberal, o PSD, a SEDES e até o Presidente da República defendem uma gestão autónoma do SNS independente do poder político.

É a ideia de um CEO técnico, asséptico e apolítico, e sobretudo sem “preconceitos ideológicos”, como acontece no National Health Service (NHS), com a nomeação da maioria destes, senão a totalidade, ligados aos grandes grupos privados o que tem facilitado a privatização de vários dos seus serviços.

O NHS está a passar por um processo de reorganização que culminou com um projeto de lei de Saúde e Assistência atualmente em discussão na Câmara dos Lordes. Entre os pontos desta proposta está o facto de que o sistema poderá deixar de ser universal. Já agora, para conhecimento dos catastrofistas, um estudo realizado no Reino Unido, publicado na revista Lancet*, que a meu conhecimento não tem preconceitos ideológicos, sobre os resultados da privatização do NHS, aponta para um aumento significativo da mortalidade. Escreve-se na conclusão do trabalho: “(…) Desde a aprovação da Lei de Saúde e Assistência Social de 2012 na Inglaterra, as empresas com fins lucrativos estão a fornecer uma parcela crescente dos serviços do NHS. As preocupações com a qualidade do atendimento prestado por empresas com fins lucrativos parecem ser justificadas, pois os nossos achados mostram que a terceirização está associada a maiores taxas de mortalidade por causas que poderiam ser tratadas por intervenções médicas eficazes. ”(Tradução automática pelo Google). Claro que não é isto que desejam aqueles que preferem outra formas, nomeadamente, “enxertar” no Ministério da Saúde um “novo esquema” da gestão executiva. Aguardemos qual será a visão do novo ministro Manuel Pizarro.

Peço imensa desculpa, mas eu tenho uma ideologia que defendo desde os meus 18 anos e por isso custa-me a aceitar a figura de uma direção executiva do SNS, independente do Ministério da Saúde, sem a possibilidade de qualquer controlo pelos cidadãos.

*Outsourcing health-care services to the private sector and treatable mortality rates in England, 2013–20: an observational study of NHS privatization in www.thelancet.com/public-health vo.7 july 2022

(Jaime Teixeira Mendes/Público 21/09/22)

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ADOÇANTES ARTIFICIAIS - MICROBIOMA INTESTINAL

A hipótese colocada é que estes adoçantes alterem o microbioma intestinal. Experimentaram em 120 adultos saudáveis e avaliaram o efeito de 2 semanas de vários adoçantes, em doses mais baixas por dia do que as habituais. Foram experimentados sacarina, sucralose, aspartame e slevia. Todos alteraram o microbioma intestinal e dois deles (sacarina e sucralose) alteraram a tolerância à glucose. No entanto, os investigadores ressalvam a ideia de que o uso destes adoçantes pode significar uma fase de transição para deixar de usar açúcar. O
que não se pode dizer é que são inertes no organismo.

(Fonte: Medscape, 19 Agosto 2022)  

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PORQUE É QUE MANTER A PERDA DE PESO É TÃO DIFÍCIL?
É BIOLOGIA, NÃO É “FORÇA DE VONTADE”!

Quando uma pessoa perde peso, ocorrem mudanças nas hormonas do eixo intestinos-cérebro e mudanças no metabolismo e na eficiência muscular. Esta mudança na energia gasta resulta em ganho de peso, a qual começa ao fim de 1 ano. Avaliados 29 estudos de perda de peso prolongada, ao fim de 2 anos os indivíduos tinham recuperado metade do peso perdido e ao fim de 5 anos, 80%. O factor com maior influência neste desfecho, é uma hormona chamada leptina, que leva a perda de menos energia e uma outra, chamada grelina que induz mais apetite. Quando os investigadores estudaram as pessoas no Registo Nacional de Controlo de Peso dos EUA, verificaram que as que mantinham a perda de peso, eram as
que reportavam níveis altos de actividade física (2000 kcal gastas por semana) e mantinham regime baixo em gordura e calorias. Para que isso aconteça, as pessoas devem continuar em contacto com quem as segue, para além do período em que se verifica a perda de peso, sem esperarem pelo início da recuperação do mesmo.

E não os deixem culpabilizar-se. É a biologia! Não é a “força-de-vontade”.


(Fonte: Donna Ryan, Medscape, 25 Maio 2022)

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ÓMICRON É A ÚNICA VARIANTE EM MOÇAMBIQUE

O Instituto Nacional de Saúde (INS) anunciou que a variante Ómicron, da covid-19, é a única detectada em Moçambique desde Julho deste ano.

O último boletim informativo do INS da conta de a linhagem BA.4 da variante Ómicron “[ser] actualmente a linhagem dominante” presente em 44% das amostras analisadas entre Junho e Agosto. Na outra parcela de 45% foram encontradas outras linhagens (BA.2 e BA.5) da mesma variante que já estavam em circulação e surgiram duas novas (BE.1 e BF.5), mas sem impactos na saúde. “É de salientar a circulação da variante Delta em baixas percentagens nos meses de Abril, Maio e Junho e a sua ausência nos meses subsequentes”, acrescenta o documento citado hoje pela Lusa.

A Rede de Vigilância Genómica (ReviGen) tem por objectivo vigiar a circulação de variantes do vírus SARS-CoV-2 em Moçambique e entre Julho de 2020 e Agosto de 2022 foram analisados 1.245 genomas sequenciados a partir de amostras provenientes de todas as províncias.

Moçambique registou em Agosto um total de 498 casos de covid-19 e cinco mortes. (MZNEWS 21/9/22)

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OBESIDADE INFANTIL E POLUIÇÃO DO AR

8 de Janeiro de 2025

A obesidade infantil no mundo tem vindo a crescer. A poluição do ar também. Em 2016, em estudos mundiais, calculava-se a existência de 340 milhões de crianças e adolescentes com obesidade ou pré-obesidade. [Em Portugal um terço das
crianças e jovens têm uma das duas condições]. Investigadores da China fizeram uma revisão bibliográfica de artigos de investigação científica que relacionam a obesidade infantil com a poluição do ar. Quinze estudos preencheram os critérios
de inclusão. Foram realizados na China, Espanha, EUA, Itália, México, Holanda e Reino Unido com um total de 683.081 crianças e adolescentes. Nestas investigações a meta-análise concluiu que havia uma correlação entre a poluição do ar, a ganho de peso e a obesidade. De acordo com os autores desta revisão é necessário ter em conta mais esta consequência da poluição do ar.

(Fonte: Chao Huang e col. International Journal of Environmental Research and
Public Health, 2022, 19, 4491)

PAPANICOLAU

Já todos os da nossa geração ouviram falar no procedimento, associado a um exame ginecológico, vulgarmente conhecido como Papanicolau (em inglês dá pelo nome de Pap smear).

Por ser de fácil realização, de baixo custo e muito eficaz na deteção precoce de lesões no colo do útero, tornou-se no padrão de excelência para o rastreio do cancro cervical. 

Para as pacientes diagnosticadas precocemente a taxa de sobrevivência é muito elevada, apesar de baixar consideravelmente quando já começam a apresentar sintomas.

O Papanicolau deve o seu nome ao empenho do extraordinário médico citopatologista grego George Papanikolaou (1883-1962), e à devoção e perseverança da sua mulher Andromache Mavroyeni, mais conhecida por Mary. 

O apelido de Mary indica a sua descendência de uma lendária família que protagonizou um papel fundamental na Guerra da Independência Grega, de que já falei aqui no passado quando evoquei os Frisos do Pártenon, Lord Elgin e Lord Byron.

George Papanikolaou nasceu em Kimy, uma povoação costeira na ilha grega de Euboea, no mar Egeu, ao norte de Atenas.

Optou por seguir os passos do pai, que era médico, e entrar para a faculdade de medicina, o que conseguiu fazer quando tinha apenas 15 anos. 

Embora se tenha dedicado a estudar música e filosofia durante algum tempo depois da conclusão do curso, resolveu prosseguir os seus estudos em Biologia e Zoologia na Alemanha, onde obteve um doutoramento em 1910.

Já tinha trabalhado como cirurgião militar na primeira guerra dos Balcãs (1912-1913) antes de emigrar em 1913 aos 30 anos para os EUA com a mulher. 

Não sabiam falar inglês e possuíam apenas 250 dólares no bolso, a quantia mínima exigida para a entrada no país.

Tiveram muitas dificuldades de início, e foram obrigados a encontrar alguns empregos peculiares. 

Ele chegou a vender tapetes e a tocar violino em restaurantes, enquanto a mulher cosia botões, ganhando a módica quantia de 5 dólares por semana.

Mal saberiam nesse altura que pouco tempo depois ambos haveriam de trabalhar juntos no desenvolvimento de um exame simples que revolucionaria a medicina mundial.

 George Papanikolaou acabou por ser contratado pela Universidade Cornell em Nova Iorque como investigador no departamento de Anatomia.

Mary foi contratada pela mesma universidade como técnica, e também para colaborar como voluntária em estudos ou ensaios clínicos ali realizados.

Em 1925, Papanikolaou iniciou um estudo citológico com recolha de células do útero através de esfregaços vaginais obtidos de voluntárias da equipa do Hospital Feminino de Nova York.  

Em 1928 teve o seu momento eureka. Colocou as células duma amostra numa lâmina, e ao microscópico constatou incidentalmente que se encontravam cancerígenas, o que o levou ao diagnóstico de cancro.

Era necessário recrutar mais mulheres para observar a doença, e recorreu a um grupo de conhecidas da sua esposa para participarem no estudo investigativo que fazia.

Mas a este feito não foi imediatamente dada a importância merecida. O mundo científico mostrou-se desinteressado desta descoberta, no próprio dizer de George Papanikolaou, cuja voz aparece no filme que envio. 

 O mundo precisava de mais evidência. Foi aí que ele recorreu à sua esposa que, devota, paciente e meticulosamente repetiu diariamente o teste durante cerca de 20 anos. 

Esta dedicação ímpar da sua mulher, que serviu de cobaia nos seus estudos, conduziu ao aperfeiçoamento do exame, e ajudou-o a obter finalmente o aval e reconhecimento da comunidade científica.

A sua reputação cresceu e George Papanikolaou recebeu importantes prémios nos Estados Unidos por esta sua proeza na área de clínica médica. 

Chegou a ser nomeado para o Prémio Nobel por duas vezes. O seu rosto foi cunhado numa nota de 10.000 dracmas e num selo postal americano.

Diz a sua sobrinha-neta Olga que o Dr. Papanicolaou e a Mary eram ambos muito tímidos, e que ele nem sequer acreditava em si próprio. Necessitava da total confiança e devoção da mulher que era o seu raio de sol.

Mary foi pois o suporte emocional fundamental na vida de grande abnegação que este pioneiro médico dedicou à Humanidade, permitindo com a relevância das suas descobertas salvar a vida de milhões de mulheres em todo o mundo.

VÍRUS, NOMES E DATAS
EPIDEMIAS ANTERIORES

SARS (2002 -2004). Foi uma pandemia com dois surtos autolimitados, muito
contagiosa e provocando uma pneumonia com sequelas necessitando seguimento para o resto da vida. Iniciou-se na China e espalhou-se rapidamente para outros quatro países da Ásia e para o Canadá. O primeiro surto foi possivelmente de origem animal e o segundo esteve associado a contágios no laboratório.
Era um coronavírus tal como o Covid 19 e transmitia-se através do ar e portanto da respiração. Foram reportados 8.098 casos, com 774 mortes (1 em cada 10 dos
infectados).


Ébola (2014 – 2016). Teve origem na África sub-sahariano e põe-se a hipótese do contágio ter sido provocado pela ingestão de carne de animais selvagens. Os profissionais da Saúde foram muito contaminados, por contacto com os doentes. Os países mais afectados foram a Guiné, a Libéria, a Serra Leoa e a República Democrática do Congo. Neste último caso a infecção foi mais tardia, em 2018. Registaram-se ao todo 28.616 casos, com 11.310 mortes.


(Fontes: OMS e National Health Service do Reino Unido)

DATAS PARA O COVID 19

Em Dezembro de 2019 a Organização Mundial de Saúde (OMS) detectou uma
“situação emergente de Saúde Pública, com reflexos internacionais”, oriunda de Wuhan na China. Entre Dezembro e Fevereiro de 2020 a OMS decidiu não declarar que se tratava de uma pandemia, por falta de provas. Em 11 de Março de 2020 declarou
pandemia, de acordo com o Director Geral, o Comité Médico de Séniors e o Comité de Emergência. Foram produzidas 40 circulares técnicas.
Em Abril 2020 as viagens passaram a ser limitadas e os vários países europeus, a Austrália e a Nova Zelândia tomaram medidas preventivas nos serviços nacionais. A África sub-sahariana, a Índia e os campos de refugiados foram os mais vulneráveis, por défices de higiene, de alimentação e de medidas sanitárias. Entre estes 1 milhão de refugiados no Bangladesh. As vacinas começaram a aparecer no final de 2020 e os
artigos científicos comprovativos de eficácia e segurança começaram a ser publicados, após fases de controlo em humanos. Houve 36 candidatas a vacinas nos EUA, 14 na China, 14 na Ásia e Austrália e 14 na Europa. Ficaram as Janssen, Sanofi, Pfizer, Glaxo Smith Kline e uma vacina chinesa. Medicação para além da vacina tem estado em investigação.


(Fontes: OMS e National Health Service do Reino Unido)

NOVA VACINA PNEUMOCÓCICA

Para além das duas vacinas antipneumocócicas já existentes, surgiu no mercado uma nova vacina, que evoca conferir maior imunidade para uma das estirpes de pneumococos.
As situações de risco que aconselham este tipo de vacinas são as idades geriátricas, a diabetes, a obesidade e as situações crónicas do foro respiratório.

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COMUNICADO DO CONSELHO DE MINISTROS DE 8 DE SETEMBRO DE 2022

Foi aprovado o decreto-lei que procede à criação da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde, I. P. (DE-SNS), e à aprovação da respetiva orgânica. 

A DE-SNS tem como missão coordenar a resposta assistencial das unidades de saúde do SNS, assegurando o seu funcionamento em rede, a melhoria contínua do acesso a cuidados de saúde, a participação dos utentes e o alinhamento da governação clínica e de saúde, e será composta por: diretor executivo, conselho de gestão, conselho estratégico, assembleia de gestores, e fiscal único.

A DE-SNS assume um papel que se revelou necessário no combate à pandemia da doença Covid-19 e que se entendeu dever ser reforçado, passando a assumir também atribuições antes cometidas a outras entidades do Ministério da Saúde.

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O VALOR DOS MEDICAMENTOS E DAS VACINAS NO CONTEXTO DA PANDEMIA
DA AVALIAÇÃO DO BENEFÍCIO/RISCO À AVALIAÇÃO ECONÓMICA. 
JOSÉ ARANDA DA SILVA, CARLOS GOUVEIA PINTO E JOSÉ CABRITA.

SINOPSE

O livro oferece uma síntese da fita do tempo da evolução do valor dos medicamentos utilizando como ponto de referência a luta contra a COVID-19. Mostra como se iniciou a luta contra as doenças mais prevalentes desde a antiguidade; como nos anos 30 do século XX se tomou consciência dos riscos associados ao tratamento farmacológico; e como no final do mesmo século foi assumida a necessidade de se justificarem os preços dos medicamentos.
Paralelamente, refere como, no contexto da pandemia, as estratégias adotadas pela OMS, e na Europa a EMA e a ECDC, conduziram à produção de vacinas seguras e eficazes num tempo nunca antes alcançado possibilitando uma redução significativa da incidência e da mortalidade. Por outro lado, chama a atenção para que a pandemia continuará a ser uma ameaça enquanto apenas uma pequena fração da população mundial estiver vacinada.
Aborda as dúvidas e os receios sobre a eficácia e a segurança dos medicamentos e das vacinas no contexto da pandemia e procura contribuir para o esclarecimento dos leitores sobre a relação benefício/risco e sobre o valor económico e social do arsenal terapêutico. Refere ainda o papel dos sistemas de saúde e do SNS no controlo da pandemia e da proteção da saúde das populações.

CRÍTICAS

«Foi exatamente a resposta a esses difíceis reptos, que muito nitidamente os autores pressentiram e aceitaram, o que nos é proposto numa viagem ordenada que se designou O Valor dos Medicamentos e das Vacinas no Contexto da Pandemia. No entanto, embora chamando a nossa atenção para o interesse com que o tempo de crise sanitária extrema destes anos de 2020-21 ilumina esta questão, e centrando o percurso na importância das avaliações do benefício e do risco e na avaliação económica, o livro leva-nos através de conceitos e da evolução temporal dos marcos que fizeram a história da relação entre as formulações terapêuticas ou preventivas e a sua procura, aceitação e utilização pelas populações humanas.»
«A saúde é um bem que dificilmente se acomoda com interesses transacionáveis e o acesso aos cuidados deve ser um direito humano. Realizá-lo (ou não...) é uma escolha das sociedades. José Aranda da Silva, José Cabrita e Carlos Gouveia Pinto contribuem com grande elegância para que possamos fazer essa e outras escolhas muito mais bem informados.»

Henrique de Barros

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LEONOR BELEZA DIZ QUE EXISTE UM "CONTROLO EXTREMAMENTE INVASIVO" DO MINISTÉRIO DAS FINANÇAS SOBRE A SAÚDE

A antiga ministra da Saúde Leonor Beleza considerou que existe uma "enorme desconfiança" do Ministério das Finanças em relação ao da Saúde, apontando até "um controlo extremamente invasivo" da parte do departamento tutelado por Fernando Medina.  "Tem vindo a crescer o número de médicos, o número de enfermeiros e o orçamento destinado ao SNS [Serviço Nacional de Saúde]. Há alguma coisa no conjunto disto tudo que não está a funcionar bem e precisa das tais reformas que não são reformas cosméticas. Não é pôr lá mais dinheiro e mais profissionais, não resolve, há um problema de produtividade", defendeu. Sem questionar a necessidade de mecanismos de controlo financeiros apertados nos serviços do Estado, a antiga ministra de Cavaco Silva (entre 1985 e 1990) considerou que existe atualmente "uma interferência para lá daquilo que é fácil de aceitar" por parte do Ministério das Finanças. Em concreto, a também conselheira de Estado Leonor Beleza salientou que no recente estatuto do Serviço Nacional de Saúde, em processo de regulamentação, se prevê que a aprovação do plano de atividades anual e do orçamento de cada hospital seja feita pelo ministro das Finanças. "Não é pelo ministro da Saúde, nem é com intervenção do ministro da Saúde, é pelo ministro das Finanças [...] Talvez ajude a compreender como acaba por ser dominante, não no discurso oficial, mas na prática, a parte financeira na prestação de cuidados de saúde", afirmou. Para a também presidente da Fundação Champalimaud, "existe alguma perversão na forma como essa necessidade de controlo tem de ser vista". "E sobretudo existe uma coisa: existe uma enorme desconfiança por parte do Ministério das Finanças em relação àquilo que faz o Ministério da Saúde. Toda a gente sabe que essa desconfiança existe, só não sei se toda a gente sabe até que ponto existe um controlo minucioso e extremamente invasivo", alertou.  (Diário de Notícias/ in Diário Farmacêutico de 05/09/22)

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MARTA TEMIDO: UM ASSASSINATO POLÍTICO

Começo por uma declaração de interesses. Conheço Marta Temido, gosto dela, temos uma relação cordial, mas não política. O que aconteceu hoje era previsível, mais cedo ou mais tarde.

Depois da pandemia todos sabíamos que o SNS tinha de ter uma grande reforma. Os problemas vinham de longe, o mundo mudou, os valores também, a forma de gerir um dos pontos socais mais sensíveis teria de sofrer uma profunda alteração.

Num Governo de maioria absoluta tudo depende do primeiro-ministro e do partido que o apoia. Ao contrário do que se possa pensar o problema não são as Finanças, o ministro fará sempre o que o mandarem fazer.

Assistimos, desde que as coisas começaram a correr pior, ao completo desaparecimento do chefe do Governo a apoiar a ministra da Saúde, com a rara exceção, quando foi anunciado o gestor para o SNS. Ainda se lembram, com certeza, como, na pandemia, o trabalho era feito no Ministério da Saúde, mas os louros eram espalhados entre São Bento e Belém.
Aqui terá começado o processo de “execução” da ministra da Saúde. O PR deu uma ajuda, ao colocar as suas reservas, aliás legítimas.

O que está em causa é a relação com os privados. Marta Temido nunca escondeu a sua resistência a grandes acordos com estes grupos. Que estão a preparar-se há muito tempo, para serem supletivos em relação a muitas áreas do SNS.
Alguém os ouviu queixarem-se da falta de médicos, obstetras ou de outras especialidades?

Estamos numa economia de mercado: ganha quem paga mais e dá melhores condições de trabalho.

Mas este assassinato político tem cúmplices. Quantos jornais televisivos abriram nos últimos meses com notícias sobre o SNS?

O fogo cerrado sobre a ministra foi contínuo. Ontem assisti a uma entrevista vergonhosa na CNN à minha colega diretora da Obstetrícia de Santa Maria sobre a grávida que morreu. A pressão da jornalista para que dissesse que o que tinha acontecido tinha a ver com o mau funcionamento do SNS foi inaceitável. Admiro a calma da colega, não sei se seria capaz de fazer o mesmo sem desmascarar o que se estava a fazer.

Podia ter sido evitado tudo isto? Tenho dúvidas, mas sempre pensei que Marta Temido geria muito mal a relação com a comunicação social e os comentadores. Não lhes ligava nenhuma, coisa que eles não perdoam…

Fica do seu mandato uma notável e estoica gestão da pandemia e, na minha opinião, alguma ingenuidade perante quem prestava contas.

Há alturas na vida, ainda mais na política, em que é preciso gritar: ou vai ou racha...

José Gameiro

(Expresso de 30/08/22)

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OPINIÃO

MARTA TEMIDO

Bem sei que vivemos num país (e num Mundo) em que elogiar é difícil. Não só porque vivemos na era dos linchamentos prontos a qualquer deslize, como também porque parece que as pessoas reais, com erros e defeitos, não são dignas de louvor pelos acertos, por estarem maculadas pela sua imperfeição intrínseca.

Bem sei que vivemos num país (e num tempo) em que os políticos são demonizados e que, da generalização da sua suposta desonestidade, crescem os populismos. Sei que é comum achar que ganham muito dinheiro, trabalhando pouco ou nada e que a vida é confortável para quem está no "poleiro". Sei que se desvaloriza a dedicação à causa pública, mesmo que se ganhe mais no privado, estando menos exposto e sendo menos escrutinado, e tendo uma vida mais tranquila.

Sou insuspeita. Não conheço Marta Temido. Nunca falámos. Não sou do seu partido e tampouco simpatizante. Mas perante a sua demissão, depois de anos tão difíceis, acho especialmente ingrato não enaltecer a sua dedicação incansável à causa pública e a forma como geriu os duros meses de pandemia, navegando à vista, permanentemente exposta ao erro, ao vivo e em direto, em todos os meios de comunicação. Como foi tantas vezes menosprezada, vítima do machismo-nosso-de-todos-os-dias, pelos que duvidaram da sua competência, riram da sua aparente fragilidade e óbvia exaustão, menosprezaram a sua liderança no processo de vacinação, louvando simultaneamente o vice-almirante Gouveia e Melo (qual super-herói de farda), e fizeram questão de a ridicularizar à mínima gafe.

Qualquer ser humano, no mesmo papel e perante o mesmo desafio, teria cometido erros e sofrido com a exaustão. Aliás, basta ver quantos ministros da Saúde foram entrando e saindo, em outros países europeus, durante os meses duros da pandemia. Marta Temido ficou. Demonstrou uma capacidade de trabalho inabalável, certamente com muito sacrifício pessoal, e (ainda que com algumas falhas de comunicação e algumas hesitações) esteve disponível para falar ao país, dia após dia, cultivando sempre uma lógica de confiança e proximidade para dar informação e a segurança (possível) às pessoas.

Sei que o SNS está caótico e que entrou em rutura com o esticar da corda da pandemia. Sei que não há soluções fáceis e que há que reorganizar serviços, valorizar as carreiras dos profissionais de saúde e encontrar soluções simultaneamente urgentes e estruturais. Sei que Marta Temido não conseguiu encontrá-las e que preferiu sair, mas conforta-me saber que não só não esteve ao serviço dos interesses errados, como é digna do nosso agradecimento profundo.

(Capicua/Jornal de Notícias 06/09/22)

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LA ADSPM EXIGE LA ATENCIÓN PRESENCIAL EN URGENCIAS

Ante la situación de una paciente atendida en las Urgencias del Hospital de Villalba, que presentaba una ciática, y a la que se le dio una única opción de ser atendida por videoconferencia. Desde la Asociación para la Defensa de la Sanidad Pública de Madrid queremos señalar lo siguiente:​

. La atención sanitaria de urgencias necesita una atención presencial, debido a que la exploración física es una parte fundamental para el buen diagnóstico y tratamiento de los enfermos, por lo que debería ser exigible la atención presencial a todas las urgencia.

. La implantación de las videoconferencias en urgencias supone un serio deterioro de la calidad de la asistencia sanitaria y provocar graves problemas de salud a las personas.

. Este tipo de actuaciones pone una vez más en relieve cómo la privatización sanitaria, al buscar la rentabilidad y el ahorro económico por encima del derecho a la salud de las personas, acaba afectando negativamente a la asistencia sanitaria.

Parece claro que la Comunidad de Madrid conocía esta práctica y por lo tanto se hace corresponsable de la misma lo que tiene que ser rectificado ya que tiene la obligación legal de llevar a cabo las acciones necesarias para garantizar que en todos los centros que tienen financiación pública de esta Comunidad se lleve a cabo una atención presencial en todos los casos de Urgencias.

 

26 de agosto de 2022

Asociación para la Defensa de la Sanidad Pública de Madrid

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MEDICINA DE URGÊNCIA DA UNIÃO EUROPEIA APOIA CRIAÇÃO
DE MEDICINA DE URGÊNCIA EM PORTUGAL

A Secção de Medicina de Urgência, da União Europeia de Médicos Especialistas (UEME), escreveu ao Presidente da República, primeiro-ministro e presidente da Ordem dos Médicos a sensibilizar para a criação da especialidade de medicina de urgência e emergência. Na carta endereçada ao bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Ruth Brown, presidente da secção e do conselho de Medicina de Urgência, da UEME, diz que a criação da especialidade vai beneficiar a população portuguesa, mas também garantirá formação especializada ao pessoal médico. Escrevo “para apoiar fortemente o desenvolvimento da Medicina de Urgência como especialidade primária em Portugal”, diz a responsável, acrescentando que tal beneficiará não só os portugueses, “ao assegurar cuidados de alta qualidade aos pacientes nas situações mais urgentes, incluindo os que são vulneráveis e têm dificuldades de acesso aos cuidados”, como também garantirá que o pessoal médico dos departamentos de emergência recebam formação especializada. Ruth Brown explica na carta que a UEME existe para promover a mais alta qualidade de formação de especialistas médicos, e para promover a livre circulação de médicos especialistas dentro da União Europeia (UE). E recorda que, embora reconhecendo o benefício e a autonomia de cada país e dos seus diferentes sistemas de saúde e prática médica, a direção-geral da UE considerou o reconhecimento mútuo de qualificações e formação na “Diretiva dos Médicos”, em 1993. “A medicina de emergência é uma especialidade primária em 16 países no Anexo V da Diretiva 2005/36/CE, atualizada. Houve mais desenvolvimentos desde essa última atualização e agora a maioria dos países da UE (22 dos 31 membros da UEME) têm a especialidade de Medicina de Urgência”, diz a responsável na carta. Nuno Catorze, que representa Portugal na secção de Medicina de Urgência da UEME disse que a carta agora enviada é uma sensibilização para a importância a criação da especialidade, que além de uniformizar o trabalho dentro da UE também ajudaria na resolução dos problemas das urgências hospitalares que Portugal tem enfrentado recentemente. Agora um especialista em urgência médica de um país onde a especialidade existe não é reconhecido em Portugal, assinalou Nuno Catorze. Com a especialidade, disse, o que se pretende acima de tudo é aumentar a qualidade junto dos doentes. Vitor Almeida, vice-presidente da SPMUE, disse que a proposta para a criação da especialidade data de 2019 e que ela existe em “quase todos os países” da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).  

(Lusa/Health News / in Diário Farmacêutico de 22/08/22)

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FALTA DE MÉDICOS DEVE-SE A ESCOLHA FEITA “NOS ANOS 80”, DIZ MINISTRA DA SAÚDE

A Ministra da Saúde disse que os problemas que têm afetado recentemente o Serviço Nacional de Saúde (SNS) são consequência de decisões tomadas “há várias décadas”, apontando aos anos 80 do século passado. “O facto de termos um número de médicos em determinadas especialidades que é insuficiente para a rede de prestação de cuidados de saúde que hoje temos – insuficiente e, em termos etários, desadequado daquilo que precisamos de garantir – não é o resultado de uma escolha de hoje, ontem ou do ano passado. É o resultado de uma escolha que foi feita há várias décadas, nos anos 80, quando o acesso aos cursos de medicina estava altamente limitado, o que levou a que tivéssemos agora o reflexo dessa escolha”, justificou Marta Temido. “Não são de hoje, agudizam-se em determinados momentos do ano no nosso sistema de saúde, como noutros sistemas de saúde”, salientou, acrescentando: “O Governo está a trabalhar para que no futuro esta situação possa não onerar novamente o país. Isso é a visão de longo prazo. Por outro lado, há também matérias relacionadas com a própria oferta de serviços de saúde”. Relativamente às dificuldades que têm sido observadas em diferentes serviços de Ginecologia-Obstetrícia, Marta Temido observou que o Ministério da Saúde “está a trabalhar com os serviços e grupos técnicos” para que a oferta dos serviços de saúde nesta área seja redesenhada em breve. “Esperamos ter já alguns resultados no início de outubro, para que possamos discutir como nos vamos reorganizar”, notou. Já em relação aos estudos sobre a mortalidade infantil e materna, a ministra referiu que os mesmos estão a ser conduzidos pela Direção-Geral da Saúde e pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e manifestou a expectativa de que surjam alguns resultados sobre este tema em outubro. Paralelamente, Marta Temido garantiu que o trabalho do Ministério da Saúde com as estruturas sindicais dos trabalhadores do setor sobre a revisão das carreiras continua a decorrer. “Os processos negociais estão a ser encarados por ambas as partes com a expectativa de que possamos finalmente ter uma solução para algumas das questões suscitadas”, sentenciou.

(Lusa/ in Diário Farmacêutico de 26/08/22)

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BOMBAS DE INSULINA HÍBRIDAS E MICROBOMBAS PASSAM A SER COMPARTICIPADAS A 100%

Os Centros de Tratamento com Perfusão Subcutânea Contínua de Insulina vão passar a ter disponíveis bombas de insulina híbridas e microbombas comparticipadas na totalidade pelo Serviço Nacional de Saúde, anunciou a Direção-geral da Saúde (DGS). Segundo a DGS, prevê-se uma “aquisição faseada” destes novos tipos de dispositivos ao longo dos próximos anos, “de forma a cobrir a totalidade dos utentes com Diabetes tipo 1 e indicação clínica para a sua utilização”. “Estas novas bombas de insulina oferecem oportunidades de melhoria da qualidade do tratamento e qualidade de vida”, considera a autoridade de saúde, sublinhando que, desde 2020, “todas as pessoas com diabetes tipo 1 acompanhadas nos centros de tratamento validados e com indicação clínica podem ter acesso ao tratamento com bombas de insulina, ao abrigo deste programa”. Esta informação surge depois de, no passado mês de abril, a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) ter pedido uma maior agilização  do acesso a bombas de insulina para permitir que cheguem mais rapidamente a cerca de 15 mil diabéticos. As bombas de insulina permitem uma melhoria da qualidade de vida, uma vez que dispensam a administração de múltiplas injeções por dia, assim como uma melhoria do controlo glicémico, pois imitam de uma forma mais próxima a secreção fisiológica de insulina pelo pâncreas. O presidente da APDP disse ainda que os centros de tratamento “são limitados e têm poucos meios”, apesar de reconhecer que já há uma maior distribuição por todo o país. O responsável adiantou ainda que “a associação tem insistido muito para que este processo se torne muito ágil” ao nível dos vários organismos do Ministério da Saúde e que passe a ser feito à semelhança do que acontece com a prescrição de medicamentos para permitir que, dentro de poucos anos, as 15 mil pessoas fossem abrangidas por estas bombas de perfusão subcutânea contínua de insulina.

(Lusa/ in Diário Farmacêutico de 26/08/22)

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NOVO ESTATUTO DO SNS, O QUE AJUDA E O QUE ATRAPALHA

1) Necessidade de um debate construtivo e de ação transformadora

A prolongada gestação do novo Estatuto do SNS despertou a atenção da "comunidade da saúde", nem sempre de uma forma benigna. A sua aprovação e apresentação numa altura em que se tornaram mais visíveis as já anunciadas carências no capital humano do SNS, ajuda ao argumento de que a lenta "cascata legislativa" - a discussão da Lei de Bases primeiro, depois o Estatuto, depois a regulamentação - não desagua, necessariamente, nos tempos próprios do mundo real. Não se espera de um exercício com esta complexidade nem perfeição, nem consensos imediatos. Por isso, reconhecer agora aquilo em que o Estatuto ajuda e apontar para o que atrapalha, pode, de alguma forma, contribuir construtivamente para o processo de transformação de que o SNS tanto carece. Se correr mal, sofremos quase todos.

2. A nova direção executiva pode ser útil...

Na nova arquitetura proposta para o SNS sobressai a "direção executiva".

A sua justificação é explícita no decreto-lei em apreço: a configuração anterior - Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) e Administrações Regionais de Saúde (ARS) - tinha dificuldade em coordenar efetivamente e pôr a funcionar "em rede" as unidades prestadoras de cuidados de saúde, sem a intervenção do poder político. Será, porventura, necessário ir um pouco mais além na análise dessas disfunções, do que atribuí-las simplesmente a problemas de configuração organizacional.

De qualquer forma, parece fazer sentido instituir uma direção executiva que assegura uma governação estratégica harmonizadora e inspiradora das instituições que formam o conjunto SNS e que "coordena a resposta assistencial das unidades de saúde do SNS". Distinguindo-a claramente de um outro dispositivo (a ex-futura ACSS), agora dedicado ao planeamento e gestão dos recursos humanos e financeiros no Sistema de Saúde.

3. ...em certas condições

Mas para que as expectativas se concretizem em relação à utilidade da direção executiva, é de importância crítica que as três condições seguintes se verifiquem. A primeira, tem a ver com o eixo "Ministério das Finanças, Ministério da Saúde, ACSS, Direção Executiva do SNS". Deste eixo deverá resultar um orçamento contratualizado para o SNS, a ser gerido pela sua direção executiva, sem interferências externas. Para que isso, de facto, possa acontecer é indispensável que os "princípios de gestão do desempenho no SNS" (incluindo as remunerações pelo desempenho) sejam claramente consensuais no seio do governo (nomeadamente entre a Saúde, a Segurança Social e as Finanças). Neste contexto, um plano plurianual de investimento no SNS é indispensável. Uma eventual evolução do Orçamento Geral do Estado para um orçamento por objetivos de bem-estar, favoreceria estes propósitos.

Aspetos essenciais, como a atração e retenção dos profissionais pelo/no SNS e o acesso apropriado e oportuno das pessoas aos serviços de que necessitam, são as pedras de toque do sucesso das reformas necessárias.

A segunda destas condições, refere-se à relação entre a direção executiva e as unidades prestadoras de cuidados de saúde. Para fazer valer o desejado processo de descentralização e a "autonomia com responsabilidade" das unidades prestadoras de cuidados de saúde, é essencial que esta relação não seja de "comando-e-controlo", mas sim de natureza verdadeiramente contratual. Uma contratualização de proximidade, que faça sentido da informação quantitativa no contexto das realidades locais, que estimule o desenvolvimento profissional e a qualidade dos cuidados (uma forma de diálogo entre os profissionais e a "administração") - e não administrativa, à distância, estereotipada, excessivamente complexa e pouco apreciada localmente. E é evidente que a forma como funcionará "o regime de dedicação plena" dos profissionais de saúde, previsto neste diploma, dependerá, em grande medida, da qualidade do processo de contratualização.

Finalmente, a terceira condição é sobre a absoluta necessidade de uma criteriosa seleção de quem vai assumir a tarefa de gerir este novo órgão (assim como a da sua equipa), não só pela exigência e complexidade da função, mas também pelo escrutínio permanente a que vai estar sujeito. No presente contexto, dúvidas fundamentadas sobre a sua competência e independência seriam comprometedoras para a esperança nas mudanças necessárias.

A não-observância destas três condições, atrapalhará.

4. Imprecisões regionais

A imprecisão sobre a configuração regional do SNS, atrapalha também. No diploma em apreço, reconhecem-se regiões de saúde no SNS, mas pouco mais se esclarece sobre isso, tendo em conta a "saída" das Administrações Regionais de Saúde (ARS) da estrutura do SNS. E isso tem múltiplas implicações. Uma das inovações do novo Estatuto é a criação, bem-vinda, dos "sistemas locais de saúde", como dispositivos suscetíveis de promover a cooperação das várias organizações locais para a melhoria da saúde e dos cuidados de saúde na comunidade. Neste contexto, ainda não é clara a forma como a nova versão das ARS se articulará com o nível regional do SNS e quais as implicações disso na orientação e acompanhamento dos sistemas locais de saúde.

5. Participação a sério...?

O novo Estatuto dá particular relevo à questão da participação pública nos serviços de saúde, o que é muito positivo. Haveria, no entanto, que assegurar que um envolvimento efetivo dos cidadãos tenha lugar exatamente naqueles aspetos que mais seriamente afetam as respostas do SNS às suas necessidades mais sentidas: o acompanhamento e monitorização do cumprimento da lei do acesso aos cuidados de SNS e dos progressos realizados ou por realizar na continuidade e integração desses cuidados; a participação nos processos de contratualização que, "em seu nome", decorre entre a "administração" e a "prestação dos cuidados de saúde" sobre os serviços que lhes serão oferecidos e os resultados que daí decorrem.

6. Transformar o SNS - um modelo de governação apropriado para além da produção legislativa

Tem-se dito e escrito que para fazer o essencial daquilo que faz falta ao SNS não seria necessário esperar pelo Estatuto. Em qualquer caso, seria positivo que a implementação deste Estatuto fizesse com que as coisas importantes aconteçam agora com maior coerência e com a máxima rapidez possível. Aspetos essenciais, como a atração e retenção dos profissionais pelo/no SNS e o acesso apropriado e oportuno das pessoas aos serviços de que necessitam, são as pedras de toque do sucesso das reformas necessárias. E para isso, para transformar o SNS a favor das pessoas, a produção legislativa e acréscimos circunstanciais de recursos não são suficientes. Haverá também que assumir modelos de governação da saúde mais apropriados ao mundo de hoje.

Constantino Sakellarides 

Professor Catedrático Jubilado da Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa

(Diário de Notícias 11/08/22)

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NOVO DIRETOR DA FMUL QUER PROJETAR INVESTIGAÇÃO CLÍNICA “MAIS ALÉM

Motivado e ciente da responsabilidade que lhe é exigida, o recém-eleito diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), Prof. Doutor João Eurico da Fonseca, partilhou com a News Farma os objetivos a atingir pela direção, os processos de reestruturação no ensino e o desenvolvimento da investigação na Medicina Clínica e consequentes “limitações organizacionais”.

Assista ao depoimento aqui.

Articular a comunicação e interação entre os agentes envolvidos pertencentes ao Centro Académico de Medicina de Lisboa – o Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes e o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte – de modo a projetarem e a de terem em conjunto um impacto no ensino, na investigação e na sociedade é um dos eixos com que a atual direção da FMUL se vai reger nos próximos anos, sendo concretizável mediante recursos financeiros complementares, revelando-se uma tarefa “muito difícil” sem a presença destes, anuncia o Prof. Doutor João Eurico da Fonseca.

Por outro lado, focando-se na heterogeneidade que os institutos de educação detêm para a formação médica, o diretor é da opinião de que poderia ser dado um outro passo, a fim de haver um “universo de educação em saúde mais interligado”, ainda que deixe bem claro que “o ensino médico, em particular, em Portugal, prepara bem os estudantes”.

No que diz respeito às reformas concretizadas, o diretor da FMUL afirma que houve uma profunda reestruturação no ensino clínico que é lecionado no quarto e no quinto ano obedecendo a “linhas mestras” entre as quais se destacam a integração, isto é, “a junção de áreas minimamente relacionáveis para o ensino em conjunto nas áreas médicas e cirúrgicas; o ensino baseado em problemas, mediante a redução do número de aulas teóricas, passando estas a serem substituídas por recursos preparados previamente, através de consulta na internet, de preparação para as aulas teórico-práticas. Relativamente às aulas práticas, estas aumentaram quer pelo número de horas, quer pela dimensão das turmas, permitindo uma “maior exposição à realidade”.

Passando para a investigação na Medicina Clínica, incluindo também a Medicina relacionada com as Ciências Biomédicas e com a Investigação de Translação, este foi todo um padrão global que “evoluiu muitíssimo nas últimas décadas”, enaltecendo-se o desenvolvimento internacional no que diz respeito à Investigação Biomédica e de Translação.

O cenário na Investigação Clínica em Portugal é dissemelhante, uma vez que se trata de uma área que tem suportado certas “limitações organizacionais”, em virtude do parco conhecimento de como a metodologia da Investigação Clínica deve ser implementada, como ainda da “falta de disponibilidade das estruturas onde os médicos estão a trabalhar para que essa investigação ocorra”, declara.

Afirma sorridente de que a FMUL e as faculdades de Medicina têm “uma grande sorte”, na medida em que estão a “produzir profissionais que têm praticamente pleno emprego”, atendendo que continua a haver uma necessidade de formação de médicos em Portugal e no estrangeiro. Assevera que muitos dos formandos não irão desempenhar somente funções em ambiente clínico, como outras relacionadas com o espectro político, económico, farmacêutico, de investigação, e assim por diante.

Ao nível do enquadramento internacional, o posicionamento da FMUL rege-se essencialmente à ligação com faculdades de Medicina lusófonas, com particular destaque para as que existem no Brasil, consistindo “um desafio interessante para os médicos portugueses estabelecerem estas interações”, sendo também “estimulante para os estudantes o conhecimento de realidades muito diferentes”. Um outro aspeto importante é o da FMUL, no contexto do Centro Académico de Medicina de Lisboa, “fazer parte da rede europeia de centros académicos clínicos”, conclui.

(Newsfarma 5/08/22)

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MEDICINA VERSUS SAÚDE”. A CURTA HISTÓRIA DE UMA AMIZADE E UM “MANIFESTO”

ANTÓNIO JOSÉ DE BARROS VELOSO/JUNHO DE 2021

No dia 9 de Dezembro de 2020 faleceu, inesperadamente, João Sampaio. Tinha 64 anos, era internista e acumulava competência médica com formação filosófica, conhecimento da história da cultura portuguesa do século XX, aguçado sentido crítico e capacidade hermenêutica e de análise
literária adquirida, na juventude, com João Gaspar Simões. Nos últimos anos, apesar da grande diferença de idades, nasceu entre nós uma forte amizade que se consolidou à volta de interesses culturais comuns. Ele conhecia muito bem os meus livros e artigos de opinião -- o que me surpreendeu -- e tinha escrito recentemente um texto fascinante
sobre o livro “Médicos e Sociedade” por mim coordenado. Os nossos encontros eram, por isso, longas conversas que nunca ficavam acabadas. Sobre Medicina, claro, nas suas facetas técnicas, conceptuais e na abordagem de elementos estranhos que a têm parasitado. Mas, também,
como quem puxa cerejas, sobre os mais variados temas: elitismo, Eça de
Queiroz, Grupo da Biblioteca, método indutivo, Platão, Grupo do Cenáculo, intelectuais e Estado Novo, livros, Reynaldo dos Santos, eu sei lá! Saltávamos de uns assuntos para outros sem agenda, sem programação, numa anarquia que nos divertia, sobretudo quando desmontávamos alguns mitos recentes da medicina portuguesa. Um assunto nos ocupou especialmente: as mudanças que a pós-modernidade introduziu na prática médica nas décadas mais recentes,
com múltiplas consequências epistemológicas, éticas, de relacionamento, de linguagem e de poder que, em síntese, se traduziram na substituição do conceito clássico de “Medicina” pelo de “Saúde” (não confundir com Saúde Pública).
Decidimos então elaborar um “Manifesto” que denunciasse essas
mudanças, as suas consequências negativas e, ao mesmo tempo,
propusesse alterações. Era um trabalho rendilhado, de escolha rigorosa das palavras, que foi metido várias vezes na gaveta para ser retomado mais tarde, porque nos parecia sempre inacabado e imperfeito.

Sabíamos que era um texto polémico e discutível, mas sentíamos que era imperioso escrevê-lo. Para quê? Para o divulgarmos? Ou simplesmente para tentarmos perceber melhor a História da Medicina do Século XX e o que dela pensam várias gerações de médicos, algumas das quais estão agora a desaparecer?
O agravamento do estado de saúde do João Sampaio e o início da pandemia interrompeu este aliciante e divertido trabalho. Quando ele faleceu, pensei que, recuperar e publicar o que ficara escrito sem acrescentos ou alterações, seria a melhor forma de prestar homenagem a um colega culto, brilhante, mas pouco conhecido. Mas só agora, por razões várias, decidi tirar o texto da gaveta. Esteja João Sampaio onde estiver, penso que esboçará um sorriso e ficará satisfeito
Trata-se de um manifesto “à Almada”, redigido a quatro mãos por mim, já
então com 90 anos, e por João Sampaio, com 64. Poderá ser controverso e propositadamente excessivo, mas acho que merece reflexão e que pode ser o ponto de partida para um debate.

António José de Barros Veloso

(Junho de 2021)

MEDICINA versus SAÚDE: um

Manifesto

No final do século XX, o espaço que tradicionalmente pertencera ao médico e ao doente, passou a ser progressivamente ocupado por novos
protagonistas: administradores, gestores, indústria farmacêutica, políticos e grupos financeiros. Como resultado disso, assistiu-se, para além de uma transferência de poder, à emergência de um paradigma com novos conceitos, novos parceiros, novos interesses, novos objectivos, novos centros de decisão, novos problemas éticos e até uma nova linguagem.
Este curto Manifesto alerta para possíveis consequências resultantes
destas mudanças em que “Medicina” -- cujo núcleo central é a relação
médico-doente - deu lugar ao conceito de “Saúde” (não confundir com Saúde Pública) que se apoia nas ciências sociais.

+++++++++++++++++
A Medicina tem um tempo próprio que é o do doente, a Saúde tem o tempo da gestão empresarial e da acção política;
A Medicina é uma relação pessoal, a Saúde funciona como uma linha de
montagem industrial;
A Medicina pode dar lucro, a Saúde está limitada por orçamentos ou
inquinada pela lógica do mercado;
A Medicina serve o doente, a Saúde trabalha para as estatísticas;
A Medicina trata o doente único e irrepetível, a Saúde cuida da multidão;
A Medicina apoia-se em médicos com carreira, a Saúde contrata profissionais, médicos-proletários, médicos-à-hora;
A Medicina exige privacidade, a Saúde não dispensa o espectáculo;
A Medicina respeita a ética, a Saúde obedece às leis da República;
A Medicina previne doenças de que conhece as causas, a Saúde anuncia a
prevenção para todas as doenças;
A Medicina avalia clinicamente cada caso urgente, a Saúde orienta-se
pelas guidelines e pelos algoritmos;
A Medicina tem como objectivo concreto tratar doentes, a Saúde obedece à OMS e promete uma utopia: o bem-estar físico, psicológico e social para todos;
A Medicina não ganha votos, a Saúde, por interposto partido, concorre às
eleições;
A Medicina não reconhece interesses estranhos ao doente, a Saúde é
influenciada prioritariamente pelo mercado;
A Medicina valoriza a relação “médico-doente”, a Saúde desvaloriza-a;
A Medicina pratica o recato do “diálogo singular”, a Saúde não dispensa a vozearia mediática;
A Medicina analisa as “mortes evitáveis” para as evitar, a Saúde investiga-as para apurar responsabilidades;
A Medicina procura um diagnóstico, a Saúde coloca um rótulo;

A Medicina é arte intemporal, a Saúde é ciência social aplicada;
A Medicina relaciona o individual com o universal, a Saúde reduz o indivíduo à mediana;
A Medicina usa a linguagem oral, a Saúde prefere o digital;
A Medicina usa as tecnologias, a Saúde obedece-lhes;
A Medicina é qualidade, a Saúde é quantidade;
A Medicina olha para o hospital como uma instituição de doentes, a Saúde
como uma organização empresarial.

Acrescente-se:
É prudente não confundir “médico” com “licenciado-em-medicina”: são
muitas vezes realidades bem diferentes;
Licenciado-em-medicina, administrador hospitalar e político: juntos podem criar uma mistura explosiva que há que manusear com o maior cuidado;
No hospital público pergunta-se à entrada: “de que se queixa?”; no
hospital privado a primeira pergunta é: “tem seguro?”
Nos hospitais públicos tratam-se os doentes até ao fim da linha, nos
hospitais privados até se esgotar o plafond do seguro;
Os hospitais públicos estão abertos a todos os doentes; os hospitais
privados preferem os “adoentados” das casuísticas programadas;
A Medicina é feita “olhos nos olhos” e não de “olhos no computador”;
Quando os médicos estão ocupados a fazer consultas de osteoporose, hipertensão, colesterol, eletrocardiogramas e análises, os doentes não têm vaga e o segurança cumpre as ordens: manda-os para o Banco de urgências;
Não há nada mais patético do que ouvir um político e um administrador
hospitalar falar de Medicina ;

O que queremos?

Saúde fora da Medicina e Medicina a coordenar a Saúde;
Centros médicos a fazer Medicina preventiva e não vigilância de doenças;
Centros médicos a tratar doentes e não doenças;
Centros médicos de proximidade com especialidades de Pediatria e Ginecologia-Obstetrícia e consultadoria em Medicina Interna e Cirurgia;
Centros médicos com raios-X, análises e ECG;
Centros médicos sem o controlo da Saúde que dá prioridade às “alturas
dos lavatórios” e à sinalização dos WC e das saídas de emergência;
Medicina independente escolhida livremente pelo doente;
Medicina com referenciação ao hospital, de médico para médico, com
linguagem directa, sem burocracias, sem algoritmos, sem listas de espera;
Médicos à cabeceira do doente com voz activa;
Medicina Clínica e não Saúde de exames complementares com relatórios defensivos, burocratizados, elaborados à distância e sem participação directa na solução dos problemas;
Medicina como pré-requisito de Saúde, em vez de Saúde gestora logística
da Medicina;

Medicina para doentes e não para utentes;
Medicina que se debruça sobre o doente e não sobre gráficos e relatórios;

Barros Veloso e João Sampaio

Lisboa, 19 de Fevereiro de 2020 (última revisão)

Notícias: Notícias
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DÍVIDA TOTAL DO SNS A FORNECEDORES SUBIU PARA OS 2,3 MIL MILHÕES EM JUNHO

Em Junho deste ano, a dívida total das entidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) a fornecedores externos ascendia a 2,3 mil milhões de euros, segundo dados do Portal do SNS, que tem informação disponível desde 2014. Este é o valor mais alto dos últimos oito anos.

A dívida total engloba os valores de compromissos assumidos cujos prazos de pagamento ainda decorrem e a dívida vencida – aquela em que os prazos de pagamento já foram ultrapassados. Aliás, esta última representa 59,4% do total da dívida. Em anos passados, este peso já foi maior. Exemplo disso é Fevereiro de 2018, em que 70,3% da dívida global – nesse mês registou-se uma dívida total de 2,2 mil milhões de euros, a segunda mais elevada no período em análise – eram dívidas vencidas.

A redução de dívida das instituições de saúde, especialmente dos hospitais, tem sido uma preocupação permanente dos últimos governos. No final do ano passado, o Ministério da Saúde anunciou uma injecção de 84 milhões de euros com o objectivo de “aumentar a capacidade de resposta e de produção do SNS e reduzir a dívida”. Mas a tendência que se verifica desde o início do ano é de subida sucessiva dos valores, à semelhança de anos anteriores.

Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), aponta vários “factores importantes” para este aumento. Um deles é a maior actividade assistencial. “No segundo semestre de 2021 e no primeiro semestre deste ano houve um aumento notório de actividade, que está muito relacionado com a necessidade de recuperarmos a actividade que foi protelada durante a pandemia. No segundo semestre de 2021 muitos hospitais bateram recordes de produção e continuam.”

Por outro lado, há a subida dos custos de produção por variadas razões. Enumera a subida de preço dos combustíveis, que “começa a reflectir um aumento de gastos importante e não esperado no orçamento de 2022”, o preço da electricidade que “triplicou desde o ano passado”, os “aumentos de preços significativos em praticamente todos os materiais e consumíveis hospitalares” devido a problemas nas cadeias logísticas como a escassez de matérias-primas e o efeito da inflação, “que não foi acompanhado por variação nos preços dos contratos-programa, e que não estava previsto aquando da elaboração do Orçamento do Estado (OE) de 2022”. “Os custos de produção aumentaram, mas os preços a que se pagam os hospitais não”, aponta Xavier Barreto, referindo que se os hospitais são pagos abaixo do custo real e a produção é maior, “aumentará naturalmente o défice de exploração e, consequentemente, a dívida”. “É importante que o ministério consiga responder à questão simples de quanto custa cada acto realizado no SNS”, ajustando o pagamento em função disso e “incorporando uma componente de eficiência”.

O aumento da dívida é abrupto e continuando assim até final do ano, provavelmente atingiremos os valores que tínhamos no período pré-troika.

Ministério acompanha evolução

A trajectória da dívida “não se distancia do padrão de anos anteriores”, diz Xavier Barreto, lembrando que o OE “já previa um défice de cerca de 1000 milhões de euros”. “Os hospitais são subfinanciados, acumulam dívida e essas dívidas são depois pagas no final do ano com injecções extraordinárias de capital”, diz, salientando que a situação prejudica a eficiência. Lamenta não ver, neste momento, uma medida estrutural ou que possa alterar este padrão em que a dívida baixa apenas fruto de injecções de capital.

“O aumento da dívida é abrupto e continuando assim até final do ano, provavelmente atingiremos os valores que tínhamos no período pré-troika, na casa dos 3 mil milhões de dívida total”, diz, recordando que esse foi um dos temas discutido com a troika. “Nessa altura houve um esforço, mas como não aconteceu nada de estrutural, tudo se manteve na mesma”, lamenta, acrescentando que a revisão da carreira de gestor poderá contribuir para o aumento da eficiência e da produtividade. Ao PÚBLICO a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) diz que os valores da dívida total de Junho “não integram o impacto das receitas previstas” no OE, “em virtude da sua recente aprovação”. “Com a aplicação do OE 2022, em Julho foram actualizados em cerca de 292,8 milhões de euros os montantes transferidos para as entidades do SNS, prevendo-se que este reforço financeiro se reflicta na diminuição da dívida total a Julho”. “O Ministério da Saúde está a acompanhar a evolução da situação e adoptará as medidas que considerar serem necessárias para a concretização desse objectivo”, diz a ACSS, que recorda que o orçamento afecto ao SNS aumentou cerca de 700 milhões de euros em relação a 2021.

Crescimento dos pagamentos em atraso

Uma das questões que tem merecido especial atenção ao longo dos anos é a dos pagamentos em atraso - valores que estão por pagar há mais de 90 dias para lá da data acordada. Segundo o Portal do SNS, em Junho ascendiam a 611 milhões de euros, o que corresponde a 43,7% do total da dívida vencida. Muitas das injecções de capital têm sido direccionadas para reduzir os pagamentos em atraso.

Aliás, o ano passado terminou com o valor mais baixo registado no Portal do SNS – perto de 110 milhões de euros -, merecendo esse mesmo destaque do Ministério da Saúde, que quando apresentou o orçamento para este ano salientou a descida continuada dos pagamentos em atraso. Contudo, o valor de Junho está em linha com o do período homólogo de 2021 (cifrava-se em 605 milhões de euros).

A este propósito, o economista da saúde Eduardo Costa, salienta “um sinal preocupante, que é o acelerar da acumulação de pagamentos em atraso”. “Em média, nos primeiros seis meses deste ano, os pagamentos em atraso subiram a um ritmo de 84 milhões de euros por mês, face a um crescimento de 76 milhões de euros por mês no mesmo período de 2021”, diz. O professor da Nova School of Business and Economics salienta os efeitos positivos dos reforços que têm existido nos orçamentos da saúde e que permitiram que nos primeiros semestres dos últimos três anos os pagamentos em atraso estivessem abaixo de todos os anos anteriores. Contudo, nota, a inflação que está prevista para este ano pode “anular” o reforço orçamental, fazendo com que, em termos reais, o orçamento do SNS seja menor.

Já para o também economista da Saúde, Pedro Pita Barros – que calcula em 77 milhões de euros por mês, em média, o ritmo de crescimento de pagamentos em atraso nos primeiros seis meses deste ano - é claro que “não foi ainda em 2022 que se inverteu o ciclo de colocar mais dinheiro, que desaparece sem que haja as transformações necessárias para que se estanque o crescimento dos pagamentos em atraso”. “O ter tido o stock de pagamentos em atraso mais baixo de sempre num final de ano não teve qualquer efeito sobre a dinâmica de crescimento das despesas (e que passam a pagamentos em atraso por parte dos hospitais EPE). Juntando o stock de pagamentos em atraso mais baixo de sempre a um orçamento que aparentava estar, em grande medida, em linha com as despesas previstas (…), torna-se preocupante que nada pareça ter mudado em termos desta dinâmica”, aponta o especialista.

Prazo médio de pagamento

Sobre a persistência dos pagamentos em atraso, Eduardo Costa considera que “sugere problemas de gestão que vão além da suborçamentação”. “A ausência de alterações substanciais nas estruturas de gestão e nos mecanismos de reporte e responsabilização, permite a manutenção de desvios orçamentais significativos em várias unidades hospitalares”, diz. “Para além da correcção de suborçamentações que persistam - teremos que começar a prestar mais atenção à inflação -, quebrar este ciclo implica não só uma maior autonomia das instituições, mas também um aumento da sua responsabilização sobre o cumprimento dos seus orçamentos.”

Está estabelecido na lei que os prazos de pagamento aos fornecedores não podem exceder 60 dias, mas das 56 instituições listadas no Portal do SNS, apenas 11 apresentavam no primeiro trimestre deste ano prazos médios de pagamento inferiores a dois meses. O Hospital de Loures, que transitou no início deste ano de parceria público-privada para gestão pública, não tem informação disponível. O prazo médio de pagamento das instituições do SNS aos fornecedores situava-se nos 139 dias no primeiro trimestre deste ano, último dado disponível no Portal do SNS. Comparando com o período homólogo do ano passado, em que este prazo médio de pagamento estava nos 124 dias, houve um aumento. No último trimestre de 2021, o prazo médio de pagamento era de 137 dias.

(Público 15/08/2022)

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SOMOS OS SOBREVIVENTES

Filipe Froes, pneumologista e intensivista deu uma palestra sobre “Vacinação do Adulto com Doença Respiratória”. Aconteceu a 21 de maio, a sessão científica de fecho das IV Jornadas Multidisciplinares de MGF, que este ano tiveram palco no Sheraton Porto Hotel.
Numa resenha histórica centrada nas pandemias, Filipe Froes convidou à reflexão sobre uma frase propensa a várias leituras e diferentes pontos de análise: “Nós somos os descendentes dos sobreviventes”. O palestrante referia-se às gerações que não sucumbiram à Peste Negra (1346-1353) – a peste bubónica terá dizimado cerca de 25 % da população mundial –, a Gripe Espanhola (1918-1920) – também conhecida por “mãe de todas as pandemias”, com um número de óbitos a rondar os 50 milhões, para um total de infetados na ordem dos 500 milhões – e, finalmente, olhando a realidade contemporânea, a segunda pandemia nos últimos 100 anos, a SARS-CoV-2 – ainda que as mortes correlacionadas tenham, até agora, um registo oficial quantificado de seis milhões (óbitos confirmados por RT-PCR), estima-se que o número real venha a situar-se entre os 18 e os 20 milhões, enquanto o universo de infetados deverá oscilar entre os 18-20 milhões.
Dados conferindo espessura sem paralelo ao impacto das pandemias e que, nos tempos em curso, dão sentido pleno às palavras de Anthony Fauci, diretor do Instituto de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, quando, há dez anos, em editorial publicado no New England Journal of Medicine, já falava de um “desafio perpétuo” lançado por estas patologias. Filipe Froes vem esmiuçar o ponto de vista do norte-americano dizendo que “as doenças infecciosas tiveram um profundo impacto na vida das pessoas e alteraram o curso das guerras, dos países, das nações, dos impérios, baseando-se numa premissa inquestionável: os microrganismos que estão na sua origem têm uma extraordinária capacidade de replicação”, bastam 20, 30, 40, 50 minutos para se multiplicarem, “enquanto nós demoramos 20-30 anos até termos filhos”.
O pneumologista e intensivista ressalta essa “enorme capacidade adaptativa dos microrganismos, a que Anthony Fauci chama ‘vantagem evolutiva’. Temos de aprender a viver uns com os outros sabendo que a realidade é esta, faz parte da vida, e, acima de tudo, devemos aprender a ouvir quem lida com estas questões há mais tempo que nós”, referindo-se, precisamente, ao citado especialista norte-americano em doenças infecciosas. Para Filipe Froes, importa desde já perceber que, hoje, “utilizamos ferramentas de biologia molecular”, com todos os desafios, avanços e possibilidades que elas acarretam. Sublinhando que estas patologias são “o grande modelador da Humanidade”, faz notar que “as vacinas mudaram a História da Humanidade”. Além desta ‘arma’ poderosa, na comparação com a realidade enfrentada há 100 anos o orador sinaliza outras vantagens que, entretanto, foram chegando – dos antibióticos até ao saneamento básico – valorizando, e muito, a referida mudança. Olhando para os nossos dias, o palestrante antecipa a próxima época vacinal (2022-2023) em três palavras: “Um pandemónio prevenível”.
O enquadramento desenhado por Filipe Froes percorre múltiplas notas, designadamente a circunstância de no último ano se ter registado menor atividade gripal, menor estimulação imunogénica e menor vigilância epidemiológica para determinar a composição das vacinas. “Soubemos que as medidas de intervenção não farmacológica funcionam e, além disso, tivemos uma imensa campanha global conjunta com a COVID-19 que demonstrou a segurança e a eficácia da administração simultânea”. A partir daí, o pneumologista e intensivista lança a questão: o que temos de experimentar no próximo ano, na próxima campanha? Não sendo uma pergunta retórica, Filipe Froes chama a si a resposta, mediada por vários pontos de apoio. Desde logo a circunstância de nos depararmos, agora, dado não ter havido circulação, com “maior risco de suscetibilidade porque as pessoas não têm a fitness imunológica tão preparada”. Como houve menor vigilância, acresce o “risco de maior discordância antigénica”, ou seja, as estirpes das vacinas não terem tanta concordância com as variantes que vão estar em circulação. “Por outro lado”, fixa o palestrante, “estamos cansados de cumprir medidas de intervenção não farmacológica e, provavelmente, vamos facilitar, o que abre caminho à transmissão”.
A equação de Filipe Froes estende-se à probabilidade de escassez de vacinas da gripe, na próxima campanha, uma vez que os países em regra melhor preparados vão incrementar, a uma distância confortável, a respetiva procura e aquisição. “Arriscamo-nos a ter maior atividade gripal e, além disso, uma nova variante do SARS-CoV-2”, que ainda não é possível identificar. Essa “incógnita”, palavra sublinhada pelo orador, suscita-lhe algumas considerações alinhadas para este simpósio: “Os Estados Unidos determinaram, em junho, a composição das novas vacinas da COVID-19 para o próximo outono/inverno, o que significa que as atuais estão a terminar o seu período de vida, desenvolvidas que foram para uma estirpe ancestral de março de 2020, agora inexistente e sucedida por 5-6 novas estirpes”. Nada que coloque em causa a importância da vacinação em curso. Ouçamos o pneumologista e intensivista: “Apesar de o vírus já ter mutado muitas vezes, estas vacinas são excelentes porque ainda funcionam”. Perante várias vozes, entre a população em geral, que manifestam as suas reticências, Filipe Froes esclarece: “É o mesmo que eu utilizar para a gripe a vacina de há dois anos, a eficácia era muito menor.
E embora a proteção seja mais limitada no tempo – cerca de 3-4 meses – o facto é que protege e ainda tem capacidade de resposta cruzada. De resto, nós sabemos que esta potenciação da resposta inflamatória desencadeada pelo vírus da gripe (influenza) e pelo SARS-CoV-2 já foi determinada em termos de consequências de impacto na mortalidade”. O palestrante reforça a nota citando o estudo Public Health England cujas conclusões apontam para o sinergismo entre as duas infeções como suscetível de aumentar, até 2,27 vezes, o risco de mortalidade comparativamente com a infeção isolada por SARS-CoV-2. “Por isso”, defende Filipe Froes, “temos de vacinar mais e melhor e monitorizar muito bem o que se vai passar [no próximo outono/inverno]”. Recordando a campanha anterior, o pneumologista e intensivista trouxe à sessão o que de mais relevante foi pontuado, em termos normativos, pelas recomendações da Direção-Geral da Saúde em relação à vacina da gripe, com primazia para a “vacinação gratuita a partir dos 60 anos, que é precisamente onde vamos encontrar maior morbilidade e mortalidade por SARS-CoV-2”.
Para este ano, a grande vantagem está nas duas opções. “Além da dose padrão, vamos ter vacina com dose elevada, ou seja, quadriplicando a dose de hemaglutinina [HA] para tentar responder de modo mais eficaz, acima de tudo, às [necessidades das] pessoas que precisam de mais proteção, em especial num quadro de imunossenescência a partir dos 60-65 anos”. Sobre as novas vacinas – tetravalente de dose elevada versus dose padrão (65+) – o orador destaca, ainda, a possibilidade de serem sempre facilmente medidas. “Apresentam uma diminuição em 13,4 % de hospitalizações por pneumonia e gripe, menos 8,4 % de hospitalizações por todas as causas e menos 17,9 % de hospitalizações por problemas cardiorrespiratórios”.

A pontuar o fecho da sua participação no simpósio, em que elegeu como tópicos principais a importância da imunização ao longo da vida, o essencial do Plano Nacional de Vacinação e das vacinas, o envelhecimento saudável – ora mais explícita ora implicitamente – haveria de alinhavar os diferentes momentos da intervenção de Filipe Froes. E assim aconteceu com especial ênfase nas conclusões finais, ao subscrever uma das máximas de George Bernard Shaw (Prémio Nobel da Literatura – 1925): “Não deixamos de nos divertir porque envelhecemos, envelhecemos porque deixamos de nos divertir”.

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INOVAÇÃO E TECNOLOGIA SÃO GARANTIA DE GANHOS NA ÁREA DA SAÚDE

Fruto da pressão da pandemia sobre os sistemas de saúde em todo o mundo - e na Europa em particular - o novo regulamento europeu, publicado no final de 2021, reconhece que o desenvolvimento das tecnologias em Saúde é um motor fundamental de crescimento económico e de inovação, sendo essencial para alcançar um elevado nível de proteção da saúde. "As tecnologias, se bem utilizadas, trazem grandes ganhos em saúde", disse José Aranda da Silva. O farmacêutico militar e membro do conselho-geral da Fundação para a Saúde - SNS recorda, por exemplo, ganhos como a esperança média de vida, os antibióticos ou as vacinas, muito impactados pelas tecnologias. Por um lado, defende Inês Teixeira, economista no Centro de Estudos da Avaliação em Saúde da ANF, é fundamental identificar e avaliar as escolhas ao nível da tecnologia e da inovação; e, por outro, tal deve ser feito de forma clara e transparente. "Esta evidência deve ajudar a construir as políticas e a tomada de decisão para introdução desta inovação, sejam medicamentos, dispositivos médicos ou até a questão da intervenção em saúde", diz. O processo de aprovação e de acesso a estas inovações terapêuticas é, contudo, ainda muito demorado. Em Portugal, a responsabilidade a este nível cabe ao Infarmed, que continua a ter períodos de aprovação muito superiores aos de outros países europeus. "Achamos que se em Portugal não forem feitas alterações a nível da nossa entidade a que chamamos reguladora, o Infarmed, arriscamo-nos a perder o comboio que apanhámos há 30 anos, o comboio prestigiante", reforça José Aranda da Silva. Para o representante da Fundação para a Saúde SNS, mesmo internacionalmente, o Infarmed é considerado uma das entidades reguladoras que mais intervém no processo europeu do ponto de vista científico. Portanto, "é necessário, mas não foi alterado o seu estatuto ou a sua organização, e é preciso fazê-lo, senão perdemos esse comboio". A prestação de cuidados é a face mais visível do SNS mas, para José Aranda da Silva, a investigação tem de fazer parte da estrutura do sistema de saúde nacional. Numa altura em que tanto se fala na capacidade de atração e de retenção de recursos para o SNS, o desenvolvimento da investigação dentro do sistema seria, na opinião, um fator de motivação, mas também "um processo de aprendizagem dos profissionais, e uma forma de ter acesso às tecnologias o mais cedo possível, com a vantagem inequívoca para os doentes, do setor público e do privado, de ter acesso a tecnologias na fase de investigação". Para tal é, no entanto, necessário criar estruturas organizadas, quer nos hospitais como ao nível dos cuidados primários, vocacionadas para coordenar a investigação. "Temos bons exemplos em Portugal, como o Hospital de Santa Maria, o IPO do Porto, ou o Hospital de São João", reforça José Aranda da Silva que, ainda assim, reconhece que ainda há um longo caminho a percorrer em Portugal. (Diário de Notícias/in Diário Farmacêutico de 19/08/2022)

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MÉDICOS DENTISTAS NO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE 

A maioria dos médicos dentistas do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que exercem funções nos centros de saúde, trabalha a recibos verdes. A notícia baseia-se em dados da Associação Portuguesa dos Médicos Dentistas do Serviço Público. Apenas 20% estão integrados nos quadros do Estado como técnicos superiores do regime geral, o que nem sequer é específico da sua atividade como profissionais de saúde. Portugal tem, atualmente, 140 gabinetes de Saúde Oral em 49 agrupamentos de centros de saúde (ACES) e unidades locais de saúde. Apesar de não serem suficientes para as necessidades da população, são mais do dobro dos que existiam em 2018 (63 gabinetes). (Público/Saúde Online/ in Diário Farmacêutico de 19/08/2022))

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CONGRESSO DA EUROPEAN

ASSOCIATION OF HOSPITAL PHARMACISTS (EAHP) - 22 A 24 DE MARÇO DE 2023

O 27º Congresso da European

Association of Hospital Pharmacists (EAHP) irá decorrer no próximo ano em Lisboa, entre os dias 22 e 24 de março. Neste evento será possível reunir farmacêuticos hospitalares de várias nacionalidades com vista a partilhar diferentes experiências profissionais vividas nos últimos anos em pandemia e discutir o presente, o futuro e os desafios desta área farmacêutica. As inscrições já se encontram abertas e com condições especiais para farmacêuticos e estudantes portugueses. Esta nova edição do Congresso da EAHP é subordinada ao tema "From drug design to treatment success - What really matters to patients?” e contará com vários quadros de discussão onde, entre outros, serão abordados os serviços clínicos farmacêuticos, a investigação clínica, a segurança dos doentes e a garantia da qualidade. O programa provisório já se encontra disponível e pode ser consultado aqui.  A EAHP organiza ainda neste congresso uma exibição e sessão de apresentações orais de pósters, nas quais poderão participar farmacêuticos hospitalares, outros profissionais de saúde e investigadores com iniciativas realizadas na área da farmácia hospitalar. A data-limite para submissão de resumos é dia 1 de outubro e durante o mês de novembro o comité da EAHP divulgará os trabalhos selecionados para apresentação e exposição.
Clique aqui para mais informações sobre as inscrições no 27º Congresso da EAHP.
Clique aqui para mais informações sobre a submissão de resumos.
Clique aqui para mais informações sobre o 27º Congresso da EAHP.
(Ordem dos Farmacêuticos/ in Diário Farmacêutico de 19/08/2022
)

Notícias: Notícias

7 DICAS PARA PAIS SOBRE DESAFIOS VIRAIS PERIGOSOS
POR TITO DE MORAIS E CRISTIANE MIRANDA, PROJETO AGARRADOS À NET


Casos como o de Archie Battersbee que foi notícia na primeira
semana de Agosto, mexem com qualquer pessoa, principalmente
se formos pais ou mães. Não conseguimos deixar de pensar “e se
fosse o meu filho?” ou “como é que isto é possível?”.
Das melhores frases sobre parentalidade que já li dizia que ser pai/mãe era viver a vida toda com o coração fora de si. E se já não
bastavam os perigos que existem na vida offline, vem a internet e
as redes sociais com desafios virais perigosos que colocam a vida
dos nossos filhotes em risco.

Como em tudo na vida, o problema não são as redes sociais, mas o
que fazemos com ela.
Contrariamente ao que alguns têm escrito e dito, e contrariamente
ao que acontece com comportamentos continuados como o
cyberbullying ou os comportamentos autolesivos, no que respeita
aos desafios virais perigosos não há propriamente sinais de alerta
que os nossos filhos possam dar que vão entrar em algum.
Geralmente, têm conhecimento do desafio e fazem-no. Sem pensar
nas possíveis consequências, o que é normal na pré-adolescência e
adolescência devido ao cérebro ainda não estar completamente
desenvolvido nestas idades.

Mas, o que são desafios virais perigosos? Um desafio online que
geralmente envolve um indivíduo gravando-se a si mesmo a
completar um desafio e distribuindo o vídeo por meio de canais de
mídia social. O desafio é muitas vezes algo difícil ou ousado, e
depois desafiam-se outros utilizadores a realizarem-no. Num breve levantamento chegamos à existência de quase 1.000 desafios virais ativos à data de hoje. Nem todos perigosos. Muitas vezes o perigo resulta do facto de se querer acrescentar algo mais
ousado ou arriscado daquilo que outros fizeram. Crianças e jovens estão constantemente expostos a estes desafios  através dos seus smartphones e outros dispositivos eletrónicos, o que pode ser extremamente problemático.
Mas há coisas que os pais podem e devem fazer para minimizar as
hipóteses dos seus filhos entrarem em desafios virais perigosos.
Desafios virais: o que os pais devem saber
1. Não entrar em pânico – nem todos são perigosos, nem todos os jovens entram nestes tipos de desafios. Há desafios que puxam, por exemplo, pela criatividade dos miúdos e outros que
são por boas causas. Estes normalmente só ganham
notoriedade se figuras públicas aderirem.
2. Conversar – sempre e de forma aberta com o teu filho sobre o que ele faz online, sobre desafios e situações que possam colocar a vida em risco, também offline.
3. Acompanhar – as últimas tendências das redes sociais, estando a par, da melhor forma possível, do que o teu filho anda por lá a ver e a fazer.
4. Denunciar – nas aplicações ou nas linhas de denúncia. As plataformas e aplicações onde estes vídeos são partilhados, dispõem de mecanismos que permitem a sua denúncia. Importa
conhecê-los e usá-los.
5. Ajudar – a desenvolver pensamento crítico. Isto exige tempo, presença e muita conversa, sobre qualquer assunto, de uma forma calma e construtiva.

6. Entender – porque os desafios virais são tão populares? Primeiro, porque os jovens os fazem e partilham; porque são uma forma de socialização, de expressarem a sua criatividade e devido aos padrões negros (funcionalidades que tiram partido
das vulnerabilidades do cérebro humano em geral, adolescente
em particular).
7. Perceber – porque os jovens os fazem. Pode ser por vários
fatores: a. A necessidade de ser notado (terem atenção, validação e afirmação entre pares); b. A impulsividade: os jovens são naturalmente propensos à aventura e ao risco. O córtex pré-frontal apenas está totalmente amadurecido por volta dos 24 anos, e é precisamente esta área do cérebro que controla as “funções executivas”, incluindo a avaliação das consequências de longo prazo e o controlo dos impulsos; c. A necessidade de desafiar os pais, uma forma de se demarcarem e começarem a criar a sua própria identidade.

Basicamente, os pais devem ser melhores mentores digitais e é precisamente isso que ensinamos no nosso projeto “Agarrados à Net”.

Segue as nossas redes sociais (@agarradosanet) e faz as nossas
formações e vive a vida digital da tua família de uma forma mais tranquila.

Notícias: Notícias
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REALIZOU-SE DE 31 DE JULHO A 5 DE AGOSTO, EM MONTARGIL, O CAMPO DE FÉRIAS DA APDP

A última edição do Campo de Férias da APDP, realizou-se entre os dias 31 de julho e 5 de agosto de 2022, no Mil Aventuras de Montargil, com o objetivo promover a saúde mental e combater o isolamento de jovens com diabetes durante as férias de verão. Todos os participantes têm diabetes tipo 1 e são já acompanhados pela associação no seu dia-a-dia, de forma a aprenderam a lidar melhor com a sua doença. “A diabetes é uma doença que muitas vezes leva ao isolamento e até ao estigma face ao jovem que a tem. Isto prende-se com o desconhecimento que existe sobre a doença nas camadas mais jovens”, explica José Manuel Boavida, presidente da APDP.

Ao aliar a troca de experiências à diversão, a associação pretende mostrar a estas crianças que não estão sozinhas e que é possível ter uma vida normal através da correta gestão da diabetes. É um momento para conhecerem outros jovens com diabetes tipo 1, cultivando amizades baseadas na entreajuda e compreensão. “O trabalho de sensibilização que continuamos a fazer junto da população tem servido para diminuir esta incompreensão face à diabetes, mas a verdade é que ainda há um longo caminho a percorrer. Esta semana serve de complemento a tudo o que tem sido alcançado, promovendo a saúde mental dos jovens que lidam com diabetes, que percebem que não são os únicos e aprendem a viver com a doença”, acrescenta o presidente da APDP.

Mas os benefícios não ficam por aqui. “Esta é também uma excelente oportunidade para a equipa de saúde da APDP, que aproveita a oportunidade para aprofundar o conhecimento sobre a doença, observando o dia-a-dia de quem com ela vive”, explica João Filipe Raposo, diretor clínico da APDP, acrescentando: “enquanto ensinamos os jovens a atuar em situações concretas, promovendo a sua autonomia, estamos também a aprender com eles”.

Os campos de férias da APDP são organizados desde 1997 e destinam-se a jovens com diabetes tipo 1 entre os 13 e os 17 anos. Este ano reuniu 24 jovens, que, durante uma semana, praticaram atividades lúdicas e desportivas, aprendendo a gerir a sua doença em paralelo.

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ORDEM DOS FARMACÊUTICOS COMENTA A APROVAÇÃO DO NOVO ESTATUTO DO SNS

A Ordem dos Farmacêuticos (OF) entende que o novo Estatuto do SNS materializa "esta atitude e foco centralizador no setor público”, desde logo evidente na própria definição do SNS, que espelha a "intenção centralizadora e monopolizadora do papel do Estado e entidades públicas, secundarizando as entidades sociais e privadas”. A OF propôs, no âmbito da consulta publica, uma definição mais alargada para o SNS, em consonância, aliás, com a definição de "saúde” adotada pela Organização Mundial de Saúde na sua constituição e com o direito de proteção à saúde previsto na Constituição da República Portuguesa e na Lei de Bases da Saúde, abrangendo a prestação de "cuidados de saúde e bem-estar, nas vertentes de promoção, prevenção, vigilância, diagnóstica, tratamento gestão, acompanhamento, reabilitação, cuidados paliativos e cuidados domiciliários”. A OF sugeriu também a integração de um farmacêutico dos cuidados de saúde primários na composição dos órgãos dos Aces. "De igual modo, na composição do conselho da comunidade, a par dos diversos representantes já existentes, sugere-se a presença de um farmacêutico comunitário representante das farmácias comunitárias da área geográfica de influência dos Aces, fomentando a melhor articulação com estas entidades que também prestam cuidados de saúde”, referia o parecer da OF. A proposta diploma definia também alguns incentivos concretos para a fixação de médicos em zonas geográficas carenciadas, o que revela um tratamento diferenciado do Ministério da Saúde para um grupo de profissionais de saúde. A OF destacava também no seu parecer as "alterações bastante significativas” no regime excecional de trabalho suplementar e no regime excecional de contratação, tendo sugerido "redobrada atenção” sobre as garantias e direitos dos trabalhadores. Para a OF, matérias como criação de "reservas de recrutamento” ou eventuais "regras sobre carreiras, mobilidade, duração dos períodos de trabalho, pactos e permanência” têm um elevado potencial para a crítica dos parceiros sociais. No âmbito dos sistemas de informação em saúde, a Ordem sublinhou que deve ser assegurado o respeito pela autonomia do indivíduo e promover a sua participação nas decisões em saúde, além de apoiar a avaliação de intervenções e ações em saúde e de prática clínica, a decisão profissional e proporcionar condições promotoras de atividades e projetos de investigação, nomeadamente nas áreas de investigação clínica, investigação básica e translacional, com potencial interesse clínico ou em terapêutica e investigação em saúde pública e serviços de saúde, designadamente nas intervenções preventivas e terapêuticas. Em conclusão, a OF considerou que a proposta de diploma deveria ainda ser trabalhada e reestruturada, com maior profundidade, objetividade e praticabilidade das disposições que consagra e dos sistemas que impõe, esperando que essa concretização seja materializada no processo de regulamentação. (https://ordemfarmaceuticos.pt/)


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DOENÇA DE LYME: VACINA CONTRA A INFEÇÃO TRANSMITIDA PELA CARRAÇA
PODE ESTAR PARA BREVE

A farmacêutica norte-americana Pfizer e a empresa francesa de biotecnologia Valneva anunciaram que estão a recrutar 6.000 pessoas, com 5 anos ou mais, para prosseguir com a última fase de ensaios clínicos da vacina contra a doença de Lyme. A informação surge numa altura em que o número de casos da infeção transmitida pela carraça está a aumentar. Uma primeira vacina contra a doença de Lyme, desenvolvida pela GSK, foi retirada do mercado há 20 anos, devido a alegações de que causava efeitos colaterais. As autoridades de saúde norte-americanas referem que são "urgentemente necessárias" novas ferramentas para prevenir as doenças transmitidas por carraças “após uma triplicação de casos relatados nos EUA entre 2004 e 2016, a maioria dos quais era doença de Lyme". A Pfizer garante que os dados resultantes da fase 2 de ensaios clínicos mostraram que a vacina contra a doença de Lyme, designada por VLA15, continuou a demonstrar capacidade de resposta imunitária, garantindo os critérios de segurança em adultos e crianças. Enquanto aguardam os resultados da fase 3 de realização de testes em humanos, tanto a farmacêutica norte-americana como a Valneva podem solicitar aprovação regulatória para a vacina nos EUA e na Europa em 2025. Uma pesquisa publicada pelo BMJ Global Journal em junho concluiu que mais de 14% da população mundial tem ou teve a doença de Lyme. Homens com 50 anos ou mais que vivem em áreas rurais estão em maior risco. A Europa Central teve a maior taxa de infeção, com 20%. A investigação, que reuniu dados de 89 estudos anteriores, confirmou que a doença é comum em todo o mundo. A bactéria Borrelia burgdorferi, causadora da infeção, foi encontrada no sangue de 14,5% do total de quase 160 mil participantes. Estudos anteriores indicavam que verões mais longos e secos, devido às alterações climáticas, contribuem para o aumento do número de casos: a prevalência de doenças transmitidas por carraças duplicou nos últimos 12 anos. (Sic Notícias).

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WHAT ARE BENEFITS AND RISKS OF PAXLOVID TO TREAT BIDEN'S COVID?

Here is a rundown of possible treatments U.S. President Joe Biden will receive for COVID-19 and the risks he faces, having been infected most likely with the fast-spreading but less severe BA.5 variant.

TREATMENTS

At 79, the president falls into a high risk category for COVID but has the advantage of medical advances that improve his chances for a full recovery. Biden has received four doses of highly effective COVID-19 vaccines - a two-course primary series and two booster shots that safeguard against severe disease and death. The president has also been started on Pfizer Inc's antiviral drug cocktail Paxlovid, a combination of two pills that in clinical trials were shown to reduce the risk of severe disease by nearly 90% in high-risk patients if taken within the first five days of infection. Doctors say much has changed since President Donald Trump was infected in 2020 at age 74. "This is a much different situation than Trump’s infection, which occurred before medical countermeasures such as the vaccine and Paxlovid were available," Dr. Amesh Adalja, an infectious disease expert at the Johns Hopkins Center for Health Security, wrote in an email.

Dr. Jeremy Faust, an emergency medicine specialist at Brigham and Women's Hospital in Boston, agreed.

"Biden isn’t remotely in the same risk category as Trump was," Faust tweeted, citing Biden's four doses of vaccine and the drug Paxlovid.

Dr. Bruce Farber, chief of infectious diseases at Northwell Health in New York, who is not treating the president, said Paxlovid is likely the only treatment the president will get unless his symptoms worsen.

RISKS AND COMPLICATIONS

A small but significant percentage of people who take Paxlovid will suffer a relapse or a rebound that occurs days after the five-day treatment course has ended. Such was the case with Dr. Anthony Fauci, Biden's chief medical officer, who last month was infected with COVID, took Paxlovid, began testing negative and then experienced an infection rebound. Fauci was given a second course of Paxlovid by his personal physician, although the Centers for Disease Control and Prevention have said there is no evidence such additional treatment is needed.

Even with the vaccines and the advantage of a powerful antiviral drug, a small percentage of older people do wind up in the hospital. A key indicator to watch will be the president's oxygen saturation level. If it falls below 94%, or if he shows signs of breathing difficulty, that would warrant hospitalization, experts said. Biden's late 2021 physical showed him to be relatively healthy. He is not obese, a risk factor with COVID, and he does not have common health risks of elderly people, such as heart failure.

The one exception is that he has a common condition known as atrial fibrillation, or AFib, an irregular heartbeat that increases the risk of heart attacks and strokes.

The condition increases the president's risk for severe disease, Adalja said. "I think it is likely to be outweighed by his vaccination status and Paxlovid." The president takes the anticoagulant drug Eliquis, known generically as apixaban, to treat his AFib, as well as the cholesterol-lowering statin drug Crestor. Because both drugs interact negatively with Paxlovid, the White House said the president has temporarily stopped taking them.

Yale cardiologist Dr. Harlan Krumholz said that short periods without anticoagulant added minimal risk. Neither was AFib a major concern because of the current variant. "This variant is almost impossible to escape and that is why we are seeing rising rates of hospitalizations and deaths – but the excess deaths are still far below peaks of prior waves," he said.

Reuters 22/7/22 - Reporting by Julie Steenhuysen in Chicago; Editing by Peter Henderson and Howard Goller

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MINISTRA DIZ QUE "HÁ CAMINHO A SER FEITO" PARA MELHORAR CLIMATIZAÇÃO NOS HOSPITAIS

A ministra da Saúde, Marta Temido, afirmou que "há caminho a ser feito" por parte do Governo para melhorar a climatização nas unidades de saúde do país, destacando investimentos já realizados e projetos previstos. “Há caminho a ser feito. Está tudo resolvido? Não está. Temos problemas? Temos, mas temos de continuar a ultrapassá-los”, salientou a governante, no final de uma visita às obras de construção do novo Hospital Central do Alentejo, em Évora. Marta Temido respondia às perguntas dos jornalistas sobre uma notícia de hoje do semanário Expresso que diz que “quase 20 anos depois de uma recomendação para a instalação de ar condicionado em todos os hospitais, ainda há unidades que não os têm”. Segundo a notícia, um estudo do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) sobre a onda de calor mais mortal em Portugal, ocorrida em 2003, concluiu que a mortalidade era 60% superior nos hospitais sem ar condicionado. A ministra começou por discordar com esta leitura das conclusões do estudo, referindo que o trabalho do INSA mostrou que “terá havido uma relação entre mais letalidade, maior calor e menos boas condições de climatização dos hospitais”. Realçou que as conclusões deste estudo do INSA “mostram bem que o impacto do calor e do frio tem efeito” na saúde, Marta Temido considerou que Portugal está “sujeito a muita exposição do calor e do frio” e que não está “tão protegido como outros países”. (Lusa)

NOVO REGIME REMUNERATÓRIO DOS MÉDICOS DAS URGÊNCIAS PUBLICADO E EM VIGOR ATÉ JANEIRO

Com este decreto-lei, aprovado em Conselho de Ministros em 19 de julho e promulgado pelo Presidente da República, o Governo pretende criar as condições para a “estabilização das equipas de urgência” dos hospitais públicos, estabelecendo um regime para o pagamento do trabalho extraordinário dos médicos que assegurem esse serviço. Na prática, o diploma determina o valor de 50 euros a ser pago a partir da 51.ª hora e até à 100.ª hora de trabalho suplementar, 60 euros a partir da 101.ª hora e até à 150.ª hora e 70 euros a partir da 151.ª hora de trabalho extraordinário dos médicos nas urgências. Depois de salientar que o SNS “investiu no aumento do seu número de médicos especialistas, que cresceram cerca de 23 % entre 2015 e 2022”, o decreto-lei reconhece que as “características da demografia médica” ainda obrigam à contratação de prestação de serviços para assegurar o funcionamento das urgências. “Apesar do caminho percorrido, as características da atual demografia médica, em que cerca de 40% dos efetivos têm mais de 50 anos, e do modelo de organização de trabalho que dela decorre, em termos de dispensa de trabalho noturno e de trabalho em serviço de urgência, não permitem, ainda, assegurar o funcionamento de todos os serviços de urgência, sem recurso à prestação de serviços médicos”, admite o diploma. Além disso, no quadro do novo Estatuto do SNS já aprovado pelo Governo e da negociação com os sindicatos representativos dos médicos, terão de ser definidas novas regras de organização do trabalho e respetivo regime remuneratório, em especial associadas à dedicação plena e ao trabalho em serviço de urgência, avança o diploma. “Enquanto são implementadas as reformas e negociadas as soluções de caráter estrutural, importa adotar as medidas de política que resolvam, no curto prazo, os problemas com que o SNS se confronta na resposta aos portugueses, conferindo aos órgãos máximos de gestão dos seus estabelecimentos e serviços os instrumentos adequados a valorizar o trabalho médico dos profissionais dos seus mapas de pessoal e reduzir a dependência da prestação de serviços, promovendo a estabilidade das equipas e a qualidade dos cuidados”, sintetiza o documento. (Lusa/Health News)