OPINIÃO

DOCUMENTO PUBLICADO PELA PLATAFORMA REFORÇAR O SNS EM REACÇÃO À DEMISSÃO DA MINISTRA DA SAÚDE

Subscrevo, embora me pareça que a escassez de especialistas também será da responsabilidade do Min Saúde (em geral), na medida em que não for capaz de desbloquear as carreiras e torná-las mais atraentes para os jovens (e menos jovens) especialistas.


João Lavinha

Investigador Principal aposentado

Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge

SNS - OPINIÃO/DR. FRANCISCO CRESPO

A propósito do SNS, temos que lembrar que de facto ele está associado a opções políticas. Quando surgiu em Inglaterra, os médicos que o criaram receberam ameaças de morte e defendiam a medicina privada. Também em Portugal o PSD e CDS votaram na AR contra, quando foi lançado. Portanto convém não esquecer que na base da sua criação, há uma matriz social que pela primeira vez surgiu em Inglaterra e em Portugal ao se criar um serviço médico gratuito que iria competir com visão lucrativa da saúde.

É importante analisarmos estes factos objetivos, para partirmos para aquilo que se foi observando no SNS em Portugal e percebermos se se criaram pequenas alterações que a pouco e pouco esvaziaram o SNS.

No início todos os médicos ao terminarem a especialidade, tinham que ficar obrigatoriamente uns anos no SNS, pois como o Estado pagara essa formação, não fazia sentido que não fosse compensado desse encargo.

  1. Pois muito bem, essa lei foi alterada e os médicos logo após obtenção do título, obrigatoriamente eram expulsos do SNS (PRIMEIRA MEDIDA EM PREJUIZO DO SNS)

  2. Logo passado pouco tempo acabam com a Dedicação Exclusiva, que permitia uma maior dedicação e mais tempo de trabalho. OUTRO ROMBO, QUE DIFICULTOU A PERMANÊNCIA NO SNS

  3. A abertura de concursos de promoção na Carreira - passam-se anos que não abrem.

  4. Os vencimentos incrivelmente baixaram, de tal modo que os meus colegas, hoje ganham menos do que eu ganhava, (já estou reformado de Diretor de Serviço do SNS há 10 anos)!!

Ora honestamente digam-me lá, se durante anos os governos não fizeram tudo para prejudicarem o SNS, favorecendo a fuga de pessoal para os privados e se nos casos clínicos mais graves, os doentes não vão para os hospitais do SNS?

 

Mas agora vamos ver se algumas mudanças poderão melhorar o SNS.

1-Após terminarem a especialidade, TODOS os médicos têm que ficar obrigatoriamente mais 2 anos, para compensar os encargos de formação do Estado, podendo continuar se quiserem.

2- Ser recriada a DEDICAÇÃO EXCLUISIVA, facultativa, para impedir fuga para privados, exceto para os Diretores de Serviço e Hospitais, que terão que ser obrigatórias.

3- Os Diretores Clínicos terão que voltar a ter funções executivas e não só consultivas, pois o prejuízo clínico decorrente do domínio dos Administradores, trouxe graves prejuízos clínicos.

4- Era importante que no SNS os blocos operatórios trabalhassem 24 horas consecutivas, como na Alemanha, o que reduziria as listas de espera e aumentaria o treino dos médicos, com pagamentos ajustados aos horários.

 

6- Devia atribuir-se o prémio pelo bom desempenho, com remuneração

(publicação de artigos médicos em revistas médicas indexadas, organização de cursos, congressos…)

7- Abertura urgente de concursos das Carreiras Médicas. reflexão progressiva e urgente do SNS.

 

Espero contribuir com a minha modesta opinião para a melhoria urgente do SNS.

Francisco Crespo

Médico